Mercado de Flores: Origem Invisível no Brasil

A cadeia de origem das flores no Brasil é pouco conhecida, apesar de movimentar R$ 23,3 bilhões. 'Breeders' europeus desenvolvem variedades, mas licenciamento e royalties enfrentam informalidade no país.

Mercado de Flores: Origem Invisível no Brasil

A origem das flores comercializadas no Brasil permanece um mistério para a maioria dos consumidores, apesar de movimentar R$ 23,3 bilhões anualmente. Diferente de setores como o de vinhos e cafés especiais, a rastreabilidade e a propriedade intelectual das variedades florais são pouco conhecidas. Empresas especializadas, as 'breeders', investem décadas em pesquisa genética para desenvolver novas flores, detendo direitos autorais que exigem licenciamento e pagamento de royalties para o cultivo legal, conforme a Lei de Proteção de Cultivares.

Concentradas na Europa, as 'breeders' como a holandesa Könst Alstroemeria dedicam equipes e recursos significativos para o desenvolvimento de flores com características aprimoradas, um processo que leva em média de 10 a 12 anos e tem uma taxa de sucesso ínfima. No Brasil, produtores como Petrus De Wit, em Andradas (MG), foram pioneiros em formalizar parcerias e cumprir com os licenciamentos, enfrentando inicialmente a informalidade do mercado.

A Cooperflora, cooperativa em Jaguariúna (SP), reúne hoje 16 produtores focados em Alstroemeria, com mais de 80 variedades licenciadas. O cultivo irregular de cultivares registradas prejudica toda a cadeia, pois o 'breeder' não é remunerado pelo investimento, e produtores informais distorcem o mercado com preços mais baixos. Contudo, o setor tem mostrado sinais de profissionalização e desenvolvimento sustentável nos últimos anos.