Plano Safra: Juros Podem Cair, Mas Abaixo do Esperado Pelo Setor

Governo anuncia Plano Safra 2026/27 nesta terça (30) com corte de juros, mas abaixo do esperado. Presidente Lula não participa do evento principal.

Plano Safra: Juros Podem Cair, Mas Abaixo do Esperado Pelo Setor

O governo federal oficializa nesta terça-feira (30) o Plano Safra 2026/27, voltado para a agricultura empresarial. A cerimônia de lançamento, que ocorrerá às 10h no Palácio do Planalto, será conduzida pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin, e pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. Uma ausência notável marcará este evento: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estará em Assunção, no Paraguai, para a Cúpula do Mercosul. Esta é a primeira vez em seu mandato que o presidente não participa da apresentação do programa, essencial para médios e grandes produtores.

A principal expectativa gira em torno da redução das taxas de juros para linhas de crédito rural com recursos controlados. Espera-se um corte de até 1,5 ponto percentual, o que representaria um alívio para os produtores. Contudo, essa diminuição tende a ficar aquém das reivindicações do Ministério da Agricultura e de entidades do setor, que buscavam taxas inferiores a dois dígitos. Na safra 2025/26, as taxas das linhas controladas variaram entre 8,5% e 14% ao ano, com a principal linha de custeio a 14%. A meta do Ministério da Agricultura era reduzir esse patamar para menos de 10%, mas a equipe econômica ponderou que o cenário fiscal e o custo da equalização dos juros pelo Tesouro Nacional limitam uma queda mais acentuada.

## O Desafio da Equalização e o Volume de Crédito

A equalização dos juros, onde a União compensa a diferença entre a taxa cobrada dos produtores e a praticada pelo mercado, permanece como um dos principais desafios orçamentários. Mesmo com a tendência de queda da taxa básica de juros, o impacto nos gastos públicos é considerado expressivo, restringindo a capacidade do governo de aumentar os subsídios.

Outro ponto de atenção é o montante de recursos destinados a custeio, investimento e comercialização. Para a safra passada, foram anunciados R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial. Entidades do agronegócio apresentaram propostas para um Plano Safra entre R$ 623 bilhões e R$ 674 bilhões, citando o aumento dos custos de produção e a maior demanda por crédito. Entretanto, as restrições orçamentárias indicam que o valor anunciado pode ficar abaixo dessas projeções.

O governo também avalia o cenário de endividamento crescente entre os produtores rurais e o aumento de pedidos de renegociação de dívidas. Essa conjuntura leva a equipe econômica a adotar uma postura mais cautelosa na definição dos recursos e das condições de financiamento para o novo ciclo.

## Inovações e Agricultura Familiar

Entre as novidades esperadas, destacam-se os incentivos contínuos para linhas voltadas à sustentabilidade, armazenagem, irrigação, inovação tecnológica e agricultura de baixo carbono. Essas áreas são vistas como estratégicas para impulsionar a competitividade do setor e atender às demandas dos mercados internacionais. Após o anúncio oficial, o Conselho Monetário Nacional (CMN) se reunirá para aprovar as resoluções que regulamentam o Plano Safra, permitindo o início das contratações.

Complementarmente, ainda nesta terça-feira, às 18h, será lançado o Plano Safra da Agricultura Familiar. Desta vez, com a participação confirmada do presidente Lula, o programa para os pequenos produtores deverá apresentar condições de financiamento diferenciadas e novas medidas para estimular a produção de alimentos.