Plano Safra: Secretário defende taxas e explica limitações de recursos

Secretário Guilherme Campos defende as taxas do Plano Safra 2026/27, explica impacto da renegociação de dívidas e detalha novas iniciativas como Moveagro e EcoInvest.

Plano Safra: Secretário defende taxas e explica limitações de recursos

O Plano Safra 2026/27 foi anunciado com taxas de juros que o governo considera as "melhores possíveis no momento", segundo Guilherme Campos, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária. Em coletiva de imprensa realizada em São Paulo, Campos explicou que a disponibilidade de recursos equalizados para renegociação de dívidas de produtores rurais impactou diretamente o volume de crédito para novas contratações dentro do programa.

Campos detalhou que os recursos equalizados, originários do Tesouro Nacional, foram significativamente utilizados em operações de repactuação e renegociação de dívidas realizadas nos últimos dois anos. Essa alocação, embora essencial para a saúde financeira dos agricultores, comprometeu parte do montante que poderia ser destinado a novos financiamentos. "As taxas de juros são as melhores que nós conseguimos colocar para esse momento. E desafio achar no mercado de financiamento brasileiro taxas de juros melhores que essas ofertadas pelo Plano Safra", afirmou o secretário, reconhecendo, contudo, o alto patamar da taxa Selic atual.

## Limitações e Fontes de Financiamento

O secretário adjunto, Wilson Araújo, complementou a explicação, ressaltando a evolução das fontes de financiamento para a agricultura. Ele lembrou que, nas fases iniciais do Plano Safra, os recursos orçamentários eram suficientes. Com o tempo, houve uma diversificação que incluiu a Caderneta de Poupança Rural, fundos e títulos do agronegócio, além de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). Essa diversificação visa suprir a demanda crescente, que, segundo Araújo, ultrapassa R$ 1 trilhão por ano.

"Pode ser que, no futuro, a gente identifique novas fontes que venham se somar ao financiamento da agricultura brasileira", declarou Araújo, indicando a busca contínua por soluções para atender à demanda do setor. Ele também abordou a questão da responsabilidade fiscal do governo, que estabelece o limite para a concessão de recursos.

## Seguro Rural e Novas Iniciativas

Em relação ao seguro rural, Guilherme Campos assegurou que o tema permanece em pauta, especialmente diante da expectativa de um El Niño mais intenso. A discussão sobre o seguro, dada sua importância, será integrada a um comitê de crise e grupos de trabalho focados em medidas de mitigação e análise dos efeitos do fenômeno climático, dentro das limitações orçamentárias.

Duas novas iniciativas foram destacadas: o Moveagro e o EcoInvest. O Moveagro, com previsão de R$ 10 bilhões a 9% de juros, foi descrito como uma novidade "muito bem-vinda", voltada inicialmente para pessoas jurídicas, mas com previsão de acesso facilitado a pessoas físicas via medida provisória. Já o EcoInvest utiliza recursos internacionais com menor impacto orçamentário, visando apoiar a recuperação de terras degradadas e atrair capital externo, promovendo a ampliação da área agrícola sem desmatamento e auxiliando na oferta de recursos aos produtores.