Super El Niño: Alerta no Agro é Maior?
Alerta de "Super El Niño" eleva preocupações com inflação e juros, mas agronegócio brasileiro demonstra resiliência e preparação.

O Comitê de Política Monetária (Copom) já considera o El Niño um risco para a inflação, levando o mercado a projetar menos cortes na taxa Selic. Estimativas indicam uma probabilidade acima de 80% de um "Super El Niño" entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027, com intensidade comparável a 2015-2016. Projeções apontam para uma alta de até 15,8% nos preços de commodities alimentícias até 2028. Especialistas preveem que o fenômeno pode adicionar até 0,55 ponto percentual ao IPCA em 2026, desacelerando a desinflação.
Entretanto, o impacto real no agronegócio é incerto. A safra 2025/26 caminha para um recorde, e o setor está mais preparado que em ciclos passados, com investimentos em irrigação e mecanização. A soja, principal cultura, pode ter uma retração de apenas 5% nacionalmente, com efeitos concentrados no Matopiba e benefício no Sul. Culturas como milho, açúcar e café exigem cautela, com projeções de déficits globais e pressões de preço.
Apesar dos alertas climáticos, o mercado de commodities ainda não precificou totalmente o risco do "Super El Niño" nos contratos futuros, mantendo um viés baixista em diversas commodities devido ao cenário global.