UE impõe regras que podem prejudicar cafeicultores brasileiros

Novas regras da UE sobre desmatamento podem dificultar exportação de café brasileiro. Pequenos produtores são os mais afetados.

UE impõe regras que podem prejudicar cafeicultores brasileiros

Cooperativas rurais e produtores familiares de café no Brasil podem enfrentar dificuldades para exportar sua produção para a União Europeia (UE). A partir de junho de 2027, o Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) exigirá comprovação de que os produtos não foram cultivados em áreas desmatadas após dezembro de 2020. O estudo do Instituto de Economia da UFRJ aponta que mais da metade das exportações brasileiras de café em 2024 tiveram como destino a UE.

O Brasil é classificado como país de "risco padrão" pela UE, o que demanda um rigoroso processo de verificação e rastreabilidade para certificar a origem sustentável das safras. O café é a commodity mais dependente do mercado europeu, com mais de 50% da produção sendo exportada para o bloco. Pequenos produtores, em particular, podem ser os mais afetados devido a limitações técnicas e falta de regularização fundiária, dificultando o rastreamento de dados.

As novas regras, que preveem a entrada gradual a partir de dezembro de 2026, equiparam desmatamentos legal e ilegal. Especialistas alertam que o EUDR, embora com objetivo ambiental legítimo, pode funcionar como um "protecionismo verde", criando barreiras não tarifárias ao comércio e potencialmente favorecendo a concentração de mercado em grandes produtores.