Vendas de Máquinas Agrícolas Devem Cair até 20% em 2026
Vendas de máquinas agrícolas no Brasil devem cair até 20% em 2026 devido à baixa rentabilidade e câmbio. Abimaq avalia Plano Safra como continuidade.

O mercado de máquinas agrícolas no Brasil deve registrar uma retração de até 20% nas vendas em 2026, comparado ao ano anterior. A projeção é da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que atribui a queda principalmente à baixa rentabilidade dos produtores rurais e à taxa de câmbio desfavorável. Os dados foram divulgados pela entidade nesta terça-feira (30), juntamente com os resultados parciais dos primeiros cinco meses do ano.
## Queda acentuada em colheitadeiras e tratores
Entre janeiro e maio de 2026, a comercialização de tratores para usuários finais apresentou uma redução de 9,5%, com 16.199 unidades vendidas, contra 17.900 no mesmo período de 2025. O cenário para as colheitadeiras foi ainda mais crítico, com uma queda de 39,2%. Foram comercializadas 1.045 unidades neste ano, ante 1.719 no ano passado. Nenhum mês de 2026 registrou mais vendas de colheitadeiras em comparação ao fluxo mensal de 2025. Apenas em março de 2026 houve um aumento nas vendas de tratores em relação ao ano anterior.
## Perspectivas pessimistas para o setor
Pedro Estevão, presidente da câmara de máquinas e implementos agrícolas da Abimaq, descreveu o mercado como "bem ruim, bem difícil", sem identificar "gatilhos" para uma melhora. Ele estima que a queda total ao final de 2026 fique entre 15% e 20%. "Talvez fique 15% porque o segundo semestre do ano passado foi muito ruim. Então a gente estará se comparando com um período que foi bastante fraco", ponderou.
Estevão destacou que a rentabilidade dos agricultores, especialmente os de soja e milho, tem sido penalizada pela combinação de preços de commodities não tão altos e a taxa de câmbio.
## Plano Safra é avaliado como continuidade
Em relação ao Plano Safra 2026/27, anunciado pelo governo federal, a Abimaq avaliou a iniciativa como uma "continuidade", sem grandes novidades ou decepções. O plano destina R$ 525,1 bilhões para o financiamento da agricultura empresarial, um valor ligeiramente superior aos R$ 516 bilhões do plano anterior. A expectativa é que a soma total, incluindo o crédito para produtores familiares, alcance cerca de R$ 610 bilhões. "Ele não teve nenhuma grande mudança, mas também não decepcionou, ou seja, ficou muito parecido com os outros anos", comentou Estevão. Ele ressaltou que o plano traz um "caráter de continuidade" e que os recursos anunciados são "razoáveis "num ano que não é tão bom".
O executivo também mencionou que o governo destinou R$ 5,8 bilhões para o Moderfrota e diminuiu os juros em 1% em todas as linhas de crédito, mas considerou que um plano "neutro" não impacta significativamente o mercado, nem positiva nem negativamente.