Indígenas Ocupam Distrito Sanitário Exigindo Mudanças Urgentes
Indígenas ocupam sede do Dsei em Campo Grande, exigindo a saída do coordenador Lindomar Terena. Protesto denuncia falta de remédios, transporte, água e demissões.

Na manhã desta terça-feira (30), aproximadamente 100 indígenas ocuparam a sede do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. A ação impediu a entrada de funcionários e teve como principal reivindicação a exoneração do coordenador Lindomar Terena. Os manifestantes, compostos por lideranças e caciques, expressaram profundo descontentamento com a gestão atual, denunciando uma série de problemas que afetam diretamente as comunidades.
## Denúncias de Descaso e Falta de Estrutura
Entre as principais queixas apresentadas pelos indígenas estão a escassez de medicamentos, a precariedade no transporte para deslocamento e o abastecimento insuficiente de água nas comunidades. Cartazes afixados no portão do Dsei estampavam mensagens como “Mudança já no Dsei MS”, “O descaso com a saúde indígena não pode continuar” e “A base das comunidades pede socorro: falta de remédio, transporte, água e equipe médica”, evidenciando a gravidade da situação.
## Críticas à Gestão e Demissões
Além das carências estruturais, o protesto também abordou a questão de demissões consideradas sem justa causa e a indisponibilidade de servidores. Genilson Duarte, coordenador substituto, relatou que as lideranças indígenas o convocaram para esclarecer esses “fatos administrativos”. Segundo ele, servidores que apoiam a oposição estariam sendo colocados em indisponibilidade, gerando uma crise na gestão. Duarte se posicionou contra assédios, demissões e perseguições, o que teria contribuído para a atual tensão administrativa.
## Cobrança por Melhorias e Esclarecimentos
Célio Fialho Terena, coordenador da Comunidade Terena, reiterou a necessidade de melhorias urgentes na estrutura de transporte e no abastecimento de água. Ele mencionou que manifestações semelhantes já ocorreram anteriormente, incluindo um protesto de três dias em março. Os manifestantes também exigem esclarecimentos sobre o desaparecimento de materiais essenciais, como pneus e celulares, que seriam destinados a agentes de saúde. A cobrança é por uma gestão que seja mais dialogal e que visite as comunidades para entender e atender suas necessidades.
## Intervenção da Polícia Federal
Durante a ocupação, equipes da Polícia Federal estiveram no local tentando intermediar o acesso ao prédio e a situação. O protesto, que iniciou antes das 8h, demonstra a insatisfação das lideranças indígenas com a atual administração do Dsei em Campo Grande e a busca por uma solução que garanta a dignidade e o bem-estar das comunidades.