Sabesp obtém aval para reforçar Cantareira com água do RJ
Sabesp obtém autorização emergencial para captar mais água do Rio Jaguari (RJ) e reforçar o Cantareira (SP). Aumento de 66% na transposição visa garantir o abastecimento na Grande SP diante da seca e do El Niño.

A Sabesp, companhia de saneamento do estado de São Paulo, recebeu autorização para intensificar a captação de água do sistema hídrico que atende parte do Rio de Janeiro. O objetivo é aumentar o volume de água no reservatório do Cantareira, uma das fontes vitais para o abastecimento da capital paulista e sua região metropolitana.
A medida, concedida pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) em caráter temporário e excepcional, surge como resposta à continuidade das condições de estiagem, que têm marcado o período de seca.
A água será transposta do Rio Jaguari, localizado na bacia do Rio Paraíba do Sul, até a Represa de Atibainha, que faz parte do complexo Cantareira. Este sistema é composto ainda pelas represas Jaguari-Jacareí, Cachoeira, Paiva Castro e Águas Claras.
Em comunicado, a Sabesp ressaltou que a operação está alinhada com as regras vigentes para o sistema Cantareira e faz parte da gestão contratual, visando a ampliação da segurança hídrica na Grande São Paulo. Com a nova autorização, o volume anual máximo de transposição do Jaguari para Atibainha em 2026 saltará de 162 bilhões de litros (hm³) para até 268,28 bilhões de litros (hm³), um aumento de aproximadamente 66%. A permissão é válida até 31 de dezembro.
Esta não é a primeira vez que tal medida é tomada. Segundo a ANA, a ampliação temporária da cota de transposição já foi autorizada em 2021 e 2025, diante de cenários semelhantes de escassez hídrica.
Situação de alerta
Na última segunda-feira (29), o sistema Cantareira operava com 39,9% de sua capacidade, um índice inferior aos 47,54% registrados no mesmo dia do ano anterior. De acordo com as agências reguladoras, o sistema se encontra em estado de atenção, faixa que abrange percentuais de armazenamento entre 40% e 60%. A queda registrada nesta segunda-feira indica a proximidade do nível de alerta, quando a capacidade fica entre 30% e 40%.
Considerando toda a cadeia de abastecimento paulista, que inclui outros sistemas como Alto Tietê, Cotia, Guarapiranga, Rio Claro, Rio Grande e São Lourenço, o volume reservado atual é de 52,5%.
Impacto do El Niño
As autoridades monitoram com atenção a possibilidade de um atraso no início da estação chuvosa deste ano, que tradicionalmente começa em outubro, devido à iminente chegada do fenômeno El Niño. O governo do estado já indicou que o nível do Cantareira servirá como um "gatilho" para a adoção de medidas mais rigorosas de economia de água. Se o reservatório atingir níveis proporcionalmente mais baixos que os demais, a redução na pressão do bombeamento noturno poderá ser estendida.
O governo de São Paulo também mencionou investimentos de R$ 25 bilhões em seu plano de resiliência hídrica, que abrange ações como a construção de piscinões e a limpeza de rios importantes, como o Tietê, visando também a prevenção de enchentes.