São Paulo: 24 anos após o Penta, como a mobilidade urbana mudou?
Há 24 anos, São Paulo celebrava o Penta com mobilidade urbana limitada. Hoje, a cidade conta com mais linhas de Metrô, CPTM e ônibus, mas enfrenta desafios persistentes.

A conquista do pentacampeonato pela Seleção Brasileira em 30 de junho de 2002 marcou uma geração. No entanto, 24 anos depois, a cidade de São Paulo que celebrava aquele feito é drasticamente diferente da metrópole de hoje. Naquele ano, a mobilidade urbana era significativamente mais limitada, com uma rede de Metrô restrita e corredores de ônibus em fase inicial, contrastando com a realidade atual.
## Transformações na Rede de Transporte
Em 2002, a malha metroviária paulistana contava com apenas quatro linhas (1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e a recém-inaugurada 5-Lilás), totalizando 57,6 km e 52 estações. Atualmente, o sistema se expandiu para sete linhas, incluindo a 4-Amarela e os ramais de monotrilho, somando mais de 110 km e 98 estações. A modernização incluiu novos sistemas de sinalização, trens climatizados e ampliação de acessibilidade e formas de pagamento.
A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) também passou por um processo de renovação. Em 2002, operava seis linhas com 251 km. Hoje, o sistema recebeu investimentos em infraestrutura e frota, com 16 novas estações construídas e 30 reconstruídas, além de melhorias de acessibilidade. A rede agora conta com serviços expressos e extensões importantes.
O transporte por ônibus também registrou um salto expressivo. De quatro corredores exclusivos com 29 km em 2002, São Paulo saltou para 13 corredores, totalizando 135,3 km. As faixas exclusivas para ônibus cresceram de 90 km para impressionantes 590,4 km, elevando o total de corredores e faixas exclusivas para 725,7 km. Diariamente, 1.330 linhas municipais transportam cerca de 7 milhões de passageiros.
## Comportamento e Urbanismo
Especialistas apontam que a São Paulo de 2002 era uma cidade onde o carro particular possuía um papel ainda mais central. A ausência de aplicativos de transporte como Uber e a dependência de táxis refletiam um cenário menos conectado. O acesso ao transporte público, segundo o arquiteto e urbanista Roberto Loeb, era mais complexo e limitado.
Loeb também observa que, apesar do crescimento imobiliário e da consolidação de novos polos de desenvolvimento, como Faria Lima e Berrini, o planejamento urbano não acompanhou as necessidades de todos os cidadãos. Ele destaca que pessoas idosas ou com mobilidade reduzida são as mais prejudicadas pela falta de atenção ao espaço público.
A digitalização acelerada transformou a rotina dos paulistanos, com smartphones e redes sociais integrados ao cotidiano, algo impensável na mesma escala em 2002. Contudo, desafios históricos como o trânsito intenso, a desigualdade urbana e as dificuldades de deslocamento persistem, evidenciando que, apesar dos avanços na infraestrutura de mobilidade, a cidade ainda busca soluções para uma locomoção mais eficiente e equitativa para todos.