Vitória Falha em Mobilidade: Falta Engenharia de Tráfego

Vitória é criticada por modelo de gestão de trânsito focado em segurança policial, sem estrutura de engenharia e especialistas em mobilidade urbana.

Vitória Falha em Mobilidade: Falta Engenharia de Tráfego

Vitória, frequentemente aclamada como uma cidade inteligente, apresenta uma lacuna crítica em sua gestão urbana: a ausência de uma estrutura dedicada especificamente à engenharia e fiscalização de trânsito. O modelo atual, que centraliza o controle do tráfego em uma Guarda Municipal com múltiplas funções e um Centro de Controle Operacional (CCO) voltado para videomonitoramento policial, é considerado tecnicamente inadequado para as complexidades de uma metrópole insular.

O foco predominante no CCO, que é essencialmente uma ferramenta de segurança pública com ênfase no “Cercamento Eletrônico” para coibir a criminalidade, acaba relegando o trânsito a um papel secundário. A carência de agentes de trânsito com carreira dedicada, cujo escopo de atuação principal seja a fluidez viária e a educação no trânsito, impede que a cidade responda de forma técnica e proativa aos desafios da mobilidade. A Guarda Municipal, embora qualificada, tem suas atribuições divididas entre o combate ao crime e a ordenação urbana, o que resulta em uma abordagem reativa às questões de trânsito, limitando a intervenção apenas a casos de acidentes ou infrações graves.

## Comparativo com outras capitais

Em contrapartida, outras capitais do Sudeste exibem modelos de gestão de trânsito mais robustos e especializados. São Paulo, por exemplo, conta com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-SP), um corpo técnico de engenheiros de tráfego experientes que realizam análises detalhadas de fluxo, como microsimulações e contagens volumétricas, permitindo que a cidade opere de maneira mais eficiente. No Rio de Janeiro, o Centro de Operações Rio (COR) integra dados de mobilidade para intervenções em tempo real, possibilitando ajustes semafóricos remotos que melhoram a fluidez, uma capacidade que falta em Vitória.

Belo Horizonte, através da BHTrans, demonstra um foco em logística urbana e planejamento, priorizando o transporte público e diferenciando claramente as responsabilidades entre segurança (Guarda Municipal) e gestão de fluxo (Agentes de Transporte e Trânsito). Esses exemplos ilustram a importância de estruturas especializadas para lidar com os desafios complexos da mobilidade urbana.

## Propostas para Vitória

Para que Vitória supere essa deficiência, é fundamental que a tecnologia de videomonitoramento seja complementada por inteligência de tráfego própria. Isso implica a criação de uma carreira específica para Agentes de Trânsito, com metas voltadas para a fluidez do tráfego, e a formação de um corpo de engenheiros civis especializados em mobilidade urbana dentro da estrutura municipal. Sem essa especialização, a cidade continuará a observar seus problemas de trânsito sem possuir as ferramentas técnicas necessárias para solucioná-los efetivamente. A gestão do trânsito, portanto, transcende a esfera policial, exigindo expertise em engenharia, logística e urbanismo para garantir uma mobilidade eficiente e segura para seus cidadãos.