UFMT inaugura mega centro de pesquisa em biodiversidade no Centro-Oeste
UFMT inaugura em Mato Grosso o Centro de Pesquisa em Coleções Zoológicas (CPCZ), o maior do Centro-Oeste e um dos mais importantes do Brasil. Estrutura abriga milhões de espécimes e fomenta pesquisa em biodiversidade.

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) marca um novo capítulo na ciência brasileira com a inauguração, nesta quinta-feira (2), do Centro de Pesquisa em Coleções Zoológicas (CPCZ). Localizado em Mato Grosso, o espaço se consolida como a mais importante infraestrutura científica dedicada ao estudo, conservação e valorização da biodiversidade nacional na região Centro-Oeste, e figura entre os maiores do país.
Com uma área construída de aproximadamente 3 mil metros quadrados, o CPCZ foi concebido para abrigar um acervo zoológico expressivo, reunindo coleções científicas de relevância nacional e internacional. O objetivo é criar um ambiente integrado que fomente a pesquisa, a formação de novos profissionais e a inovação na área.
A estrutura conta com laboratórios especializados, áreas para conservação de espécimes, auditório e espaços multiusuários, projetados para atender às diversas frentes de trabalho acadêmico. O acervo abrange milhões de exemplares de invertebrados, peixes, anfíbios, répteis, aves, mamíferos e fósseis, servindo como base fundamental para investigações em taxonomia, ecologia, paleontologia e formulação de políticas públicas ambientais.
## Um Marco para a Ciência Brasileira
O professor Alexandre Cunha Ribeiro, coordenador do CPCZ, destaca a importância do centro como um divisor de águas para a pesquisa em biodiversidade. "O CPCZ representa um marco histórico para a UFMT e para a ciência brasileira. Além de oferecer condições adequadas para a conservação e expansão dos acervos, o Centro fortalece a formação de novos pesquisadores, amplia as possibilidades de cooperação científica e consolida a Universidade como um polo estratégico para o estudo da biodiversidade", afirmou.
## Destaques do Acervo
Entre os grandes destaques do novo centro está a Coleção Entomológica de Mato Grosso Eurides Furtado (CEMT), uma das mais significativas da América Latina para o estudo de besouros (Coleoptera). Rebatizada em 2022, a coleção abriga cerca de 500 mil exemplares preparados e outros seis milhões em processo de incorporação, além de um valioso acervo de borboletas e mariposas. A UFMT prestará homenagem aos familiares de Eurides Furtado pela doação de parte significativa deste acervo.
Outras coleções de peso compõem o CPCZ: a Coleção de Mollusca, com um dos maiores acervos brasileiros de bivalves de água doce; a Coleção de Peixes, com cerca de 61 mil espécimes; a Coleção Herpetológica, com quase 13 mil répteis e mais de 20 mil anfíbios; a Coleção de Aves, entre as dez maiores do país; e a Coleção de Mamíferos, entre as oito maiores. O centro também abriga uma importante Coleção de Fósseis, com cerca de 430 espécimes, muitos deles provenientes da Formação Crato, na Bacia do Araripe (CE), reconhecida mundialmente pela preservação de fósseis de 110 milhões de anos.
O projeto, que teve início em maio de 2017 com a elaboração do projeto executivo e as obras iniciadas em agosto de 2019, foi coordenado pela Pró-Reitoria de Pesquisa da UFMT, com gestão administrativa e financeira da Fundação Uniselva.
O CPCZ também será sede do Instituto Nacional de Coleoptera, uma rede científica liderada pela UFMT e vinculada ao CNPq, focada no estudo de besouros e suas aplicações em diversas áreas.