Onda de calor: Europa intensifica medidas contra risco de vida
Ondas de calor extremo levam Europa a intensificar medidas de adaptação e alerta. Portugal solicita ajuda internacional para combater incêndios.

A Europa se prepara para enfrentar a terceira onda de calor do ano, intensificando medidas de adaptação e combate aos riscos associados às temperaturas elevadas, que já superam os 40°C em diversas regiões. Portugal, que havia sido poupado nas ondas anteriores, agora se vê na linha de frente, com o primeiro-ministro Luís Montenegro declarando "situação excepcional". O país solicitou ajuda internacional, incluindo suporte aéreo de Marrocos, Espanha e da União Europeia, para combater focos de incêndio florestal. Quase 3.000 bombeiros foram mobilizados, e restrições foram impostas à agricultura e ao manejo de florestas.
As ações seguem um roteiro já estabelecido por outros governantes europeus, que buscam antecipar e mitigar os efeitos do calor extremo. Paris, por exemplo, implementou uma série de restrições, desde a circulação de veículos até a venda de bebidas, diante da lotação dos hospitais. O calor, que já causou um excesso de 2.025 mortes na França entre 22 e 28 de junho, é considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como o evento climático extremo mais letal do planeta.
Especialistas apontam uma mudança de paradigma: o calor deixou de ser visto apenas como uma ameaça individual para se tornar um problema de saúde pública. "Há muitas oportunidades para ação pública. O mais importante é entender como e onde as pessoas estão expostas ao calor", explica Ruth Engle, cientista de dados do World Resources Institute (WRI). A conscientização sobre a exposição em casa, no trajeto para o trabalho e nos locais de trabalho é fundamental para a implementação de medidas de proteção eficazes.
Os dados sobre as vítimas do calor extremo revelam um quadro preocupante. Na França, 85% dos óbitos registrados em junho tinham mais de 65 anos, e 62% dos falecidos residiam na região metropolitana de Paris. Essa vulnerabilidade tem gerado debates, como o ocorrido na Assembleia Nacional francesa, onde o premiê classificou como "escandalosa" a projeção de que o número de vítimas poderia chegar a 10.000, aproximando-se da crise de 2003, que causou cerca de 15 mil mortes na França e 70 mil em toda a Europa.
Desde 2003, diversas mudanças foram implementadas no continente, incluindo alertas de eventos extremos e protocolos legislativos para lidar com tais situações. Cidades como Amsterdã e Barcelona têm investido em soluções práticas, como a criação de mais áreas sombreadas e centros de resfriamento em locais estratégicos. Atenas está implementando sistemas de alerta precoce, enquanto Berlim foca em campanhas de conscientização pública, embora partidos verdes locais defendam modelos mais robustos, como o espanhol de centros de resfriamento comunitários.