Livro celebra Angela Ro Ro com contos e relatos íntimos
Livro 'Angela Ro Ro – Contos, canções, relatos & afins' reúne 41 textos inspirados na vida e obra da cantora, explorando sua intensidade e legado musical.

A vida e a obra intensa de Angela Ro Ro (1949-2025) ganham destaque no livro "Angela Ro Ro – Contos, canções, relatos & afins", lançado em junho pela editora Garoupa. Organizado por Marina Ruivo, a publicação é o terceiro volume da série "Leia esta canção", que já homenageou os compositores Beto Guedes e Ednardo.
O livro compila 41 textos inspirados na trajetória da cantora, compositora e pianista carioca, que faleceu em setembro do ano passado, aos 75 anos. A obra se aprofunda especialmente no antológico álbum de estreia de Angela Ro Ro, lançado em 1979, considerado um marco na música brasileira. Textos como "Balada da (des)arrasada" e "Tola", de Luciana Lima Silva e Miriam Palma, respectivamente, revisitam canções do disco com uma abordagem ficcional.
Além das ficções, o volume apresenta relatos que desnudam sentimentos e experiências reais a partir do contato com a artista. A cineasta Mery Lemos, em seu texto "Angela", descreve o disco de estreia como a obra de uma "mulher intensa e inteira que rasga a carne e mostra os ossos sem medo algum", ressaltando a coragem e a súplica existencial presentes nas canções, mesmo em um Brasil ditatorial.
O jornalista e crítico musical Pedro Alexandre Sanches assina "Não foi fácil ser Angela Ro Ro", um obituário que analisa a trajetória da artista. Já o escritor Santiago Nazarian contribui com "Fossa nova", um poema dedicado à cantora. A capacidade do cancioneiro de Ro Ro em evocar emoções profundas é um dos pilares que justificam e valorizam a coletânea.
Relatos fora do universo ficcional também marcam presença. A escritora Paula Bajer dedica "Amor, meu grande amor" ao seu irmão, fã de Angela Ro Ro, que também admirava Maria Bethânia. O livro traz ainda a experiência traumática do cantor e jornalista Márvio dos Anjos ao abrir um show de Ro Ro no Sesc Pompeia em 2007 ou 2008, detalhada em "Abrir o show de um demônio". Apesar do temperamento por vezes irascível da artista, a obra de Angela Ro Ro transcende as "luzes e sombras" de sua vida.
O jornalista Rodrigo Carneiro, em "Nossa mulher biônica", compartilha suas emoções ao assistir a um show de Angela Ro Ro no mesmo Sesc Pompeia em 2008. Seu relato menciona a violência física e psicológica sofrida pela artista nos anos 1980, contrastando com a força de sua expressão artística. O livro, portanto, oferece um panorama multifacetado da artista, explorando tanto sua obra quanto os relatos de quem conviveu com sua personalidade complexa.