América Latina: Estagnação econômica supera 'ondas' políticas
América Latina sofre há 40 anos com estagnação econômica, enquanto o Sudeste Asiático avança em tecnologia e indústria. Análise aponta falta de investimento em produtividade como fator chave.

Enquanto a América Latina transita por diversas 'ondas' políticas, como a recente ascensão de governos de direita e a anterior de esquerda, uma estagnação econômica persistente assola a região. Há aproximadamente quatro décadas, a América Latina enfrenta um cenário de produtividade e crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) estagnados. Este quadro contrasta fortemente com o avanço observado no Sudeste Asiático.
William Waack, em sua análise, destaca que as diversas 'ondas' políticas que varreram o continente – desde regimes militares, passando por redemocratizações, até o Consenso de Washington e sua oposição – não foram capazes de impulsionar um desenvolvimento econômico sustentado. Mesmo com a recente proliferação de presidentes de direita, como Javier Milei, e a possibilidade de uma 'onda azul' no Brasil, a região ainda carece de uma onda fundamental: a de investimento, educação e aumento de produtividade.
## Avanço Asiático em Contraste
O analista contrapõe a situação latino-americana com o progresso de países do Sudeste Asiático, que, ao invés de se beneficiarem apenas do boom de commodities, focaram em criar 'ondas de progresso tecnológico'. Essas nações se transformaram em centros industriais relevantes, indo além da China, e apresentaram taxas de expansão robustas por décadas. Enquanto isso, a América Latina se conformou com 'voos de galinha' – crescimento econômico volátil e insuficiente – e viu a expansão do chamado 'quarto setor', o do crime organizado transnacional, como se a troca da 'cor da onda' fosse suficiente para resolver os problemas estruturais.
A reflexão de Waack aponta que a troca de governos e ideologias, por si só, não tem sido o motor para superar a inércia econômica. A região parece ter se iludido com as variações políticas, sem atacar as causas profundas da falta de investimento em capital humano e tecnológico, que são os verdadeiros impulsionadores do crescimento sustentável em outras partes do mundo.