Bradesco eleva projeção do PIB para 2026 e prevê inflação e juros mais altos
Bradesco eleva projeção do PIB para 2026 e prevê inflação e Selic mais altas em 2026 e 2027. Banco ajusta expectativas econômicas para o Brasil.

O Bradesco ajustou suas projeções para a economia brasileira, elevando a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 para 2,0%, um aumento em relação à estimativa anterior de 1,8%. A justificativa para essa revisão aponta para a presença de "fortes estímulos que se contrapõem à política monetária", além de medidas governamentais de incentivo ao crédito que devem mitigar a desaceleração econômica.
No entanto, a perspectiva para 2027 foi revisada para baixo, com a projeção de crescimento caindo de 2,0% para 1,5%. O banco argumenta que o impulso fiscal tende a ser negativo, e o crédito expandido em 2026 pode resultar em maior comprometimento de renda ou menor geração de caixa no ano seguinte, impactando negativamente o consumo e os investimentos. A taxa de desemprego, segundo o Bradesco, deve apresentar uma acomodação, subindo de 5,9% em 2026 para 6,8% em 2027, o que, embora ainda baixo historicamente, pode contribuir para o alargamento do hiato do produto.
## Inflação e Selic em alta
A inflação também teve suas projeções elevadas para ambos os anos. A estimativa para a alta do IPCA em 2024 subiu de 5,0% para 5,3%, e para 2025, de 3,7% para 4,1%. Essa mudança é atribuída a choques recentes, como os decorrentes de conflitos internacionais, aumento nos preços de alimentos, e os efeitos do fenômeno El Niño. A resiliência do setor de serviços também contribui para a pressão inflacionária.
Com o cenário inflacionário mais desafiador, o Bradesco revisou para cima as projeções para a taxa Selic. A estimativa para o final de 2026 passou de 12,75% para 13,75%, e para 2027, de 10,25% para 11,00%. A taxa básica de juros encontra-se atualmente em 14,25% ao ano. O banco destaca que a sinalização do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a possibilidade de pausas no ciclo de cortes da Selic também influenciou essa revisão.
## Perspectivas e desafios
O Bradesco pondera que, mesmo com a taxa de juros real elevada ao final de 2027 (estimada em cerca de 7,5%), ela ainda se manterá acima do nível considerado neutro para a economia, na ausência de estímulos correntes e choques. A inclinação da curva de juros é apontada como um fator de pressão sobre os ativos locais, especialmente a bolsa de valores. Apesar dos desafios, o banco projeta que a inflação esperada convergirá para níveis consistentes com as metas em horizontes relevantes, abrindo espaço para cortes na Selic em algum momento.