Brasil eleva projeção de superávit comercial para US$ 90 bilhões
Brasil revisa projeção de superávit comercial para US$ 90 bilhões em 2026. Alta nas exportações, impulsionada pelo petróleo e agronegócio, sustenta otimismo.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) anunciou nesta sexta-feira (3) uma revisão otimista para a balança comercial brasileira. A projeção de superávit para 2026 foi elevada de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões. Caso se concretize, este será o segundo melhor resultado da série histórica, superando em 32,3% o saldo de US$ 68,1 bilhões registrado em 2025.
## Desempenho acima do esperado
A revisão se deu em função de um desempenho mais robusto do que o antecipado nas exportações e importações durante o primeiro semestre de 2026. As exportações apresentaram um crescimento de 11,5% nos primeiros seis meses do ano, mesmo diante de um cenário internacional desafiador, marcado pela guerra no Oriente Médio e pela imposição de tarifas por parte do governo de Donald Trump.
## Fluxo de comércio em expansão
Além da estimativa de superávit, o Mdic também ajustou para cima as projeções para o fluxo total de comércio em 2026. A expectativa agora é que o Brasil alcance US$ 394,4 bilhões em exportações, um acréscimo de US$ 30,2 bilhões em relação à previsão anterior. Já as importações foram revisadas de US$ 292,1 bilhões para US$ 304,4 bilhões. Segundo Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do ministério, essa expansão reflete uma aceleração significativa do comércio exterior brasileiro.
## Destaque para o petróleo e agronegócio
Os novos números foram divulgados em conjunto com o resultado da balança comercial de junho, que registrou um superávit de US$ 9,8 bilhões. Este saldo foi impulsionado por exportações recordes de US$ 36,3 bilhões, um aumento de 24,9% em relação a junho de 2025. As importações totalizaram US$ 26,5 bilhões, com crescimento de 14,4%. A indústria extrativa foi o principal motor desse desempenho, com exportações 58,4% maiores, lideradas pelo petróleo bruto. O aumento nos preços internacionais e o maior volume embarcado do produto foram fatores cruciais. O agronegócio, com exportações de soja, e a indústria de transformação, com vendas de carnes, combustíveis e farelo de soja, também contribuíram positivamente.
## Acumulado do semestre reforça otimismo
No acumulado do primeiro semestre de 2026, o superávit comercial atingiu US$ 42,4 bilhões, superando os US$ 30,2 bilhões registrados no mesmo período de 2025. As exportações somaram US$ 184,8 bilhões e as importações, US$ 142,4 bilhões. Esses resultados reforçam a confiança do governo em um desempenho recorde para o comércio exterior brasileiro ao final de 2026.