Choques globais não respondem à política monetária, afirma BC
Diretor do BC afirma que choques de oferta de guerra e El Niño são insensíveis à política monetária, comparando-os a um hematoma.

Efeitos de conflitos globais e de fenômenos climáticos sobre a inflação são imunes às decisões de política monetária, segundo Paulo Picchetti, diretor de Política Econômica do Banco Central. Em comparação, ele descreveu os choques de oferta, como a guerra no Irã e o El Niño, a um "hematoma" que requer tempo para desaparecer, sem que medidas como o aumento da taxa Selic possam acelerar o processo.
Picchetti explicou que, mesmo que a taxa básica de juros fosse triplicada, isso não seria suficiente para reverter eventos como o fechamento do Estreito de Ormuz ou influenciar a trajetória do El Niño. O Banco Central mantém o foco no "horizonte relevante" da política de juros, visando a convergência da inflação para a meta de 3%.
O comunicado mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom) indicou uma desancoragem adicional nas expectativas de inflação para prazos mais longos, especialmente para 2028, refletindo uma deterioração do cenário inflacionário desde abril.