Contas públicas: Deficit de R$ 56,1 bi em maio pressiona economia
Setor público registra déficit primário de R$ 56,1 bilhões em maio, com dívida bruta atingindo 81,1% do PIB. Juros e endividamento pressionam as contas fiscais do Brasil.

As finanças do setor público consolidado brasileiro registraram um déficit primário de R$ 56,1 bilhões em maio de 2026. Este valor representa um agravamento em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando o déficit foi de R$ 33,7 bilhões. No acumulado dos últimos doze meses, o rombo nas contas públicas atinge R$ 149 bilhões, o que corresponde a 1,14% do Produto Interno Bruto (PIB).
O cenário fiscal é ainda mais preocupante com o avanço da dívida bruta, que alcançou 81,1% do PIB. Este é o maior patamar observado desde outubro de 2022, indicando uma crescente fragilidade nas finanças do governo.
## Desempenho por Esferas de Governo
A maior parte do déficit de maio foi concentrada no Governo Central, responsável por R$ 55,2 bilhões negativos. Os governos regionais também contribuíram com um déficit de R$ 1,2 bilhão. Em contrapartida, as empresas estatais apresentaram um saldo positivo, com um superávit de R$ 0,3 bilhão, segundo dados divulgados pelo Banco Central.
## Juros e Dívida Grossa em Alta
Além do resultado primário negativo, o custo com o pagamento de juros da dívida pública continuou a exercer forte pressão sobre as contas. Em maio, os juros nominais totalizaram R$ 107,5 bilhões, um aumento significativo em relação aos R$ 92,1 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. O Banco Central atribui essa elevação, em grande parte, à expansão do estoque de endividamento líquido do setor público.
Considerando a inclusão dos juros, o déficit nominal do setor público consolidado atingiu R$ 163,7 bilhões em maio. Em uma perspectiva anualizada, esse valor soma R$ 1,26 trilhão, representando 9,62% do PIB.
## Dívida Bruta e Líquida em Foco
A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que engloba os débitos do Governo Federal, INSS e dos governos estaduais e municipais, atingiu R$ 10,6 trilhões, correspondendo a 81,1% do PIB. Houve um aumento de 0,9 ponto percentual em relação a abril, impulsionado principalmente pelos juros nominais e pelas emissões líquidas de títulos públicos.
Já a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) chegou a 67,9% do PIB, o equivalente a R$ 8,9 trilhões. O aumento foi influenciado pelos juros nominais (0,8 ponto percentual) e pelo déficit primário (0,4 ponto percentual). Contudo, fatores como o crescimento do PIB nominal (-0,4 ponto percentual) e a desvalorização cambial de 1,4% (-0,1 ponto percentual) ajudaram a mitigar parte dessa alta.
As simulações do Banco Central indicam que uma redução de 1 ponto percentual na taxa Selic, mantida por um ano, poderia diminuir a dívida líquida em R$ 65 bilhões e a dívida bruta em R$ 59,3 bilhões. Por outro lado, uma desvalorização de 1% do real frente ao dólar reduziria a dívida líquida em R$ 8,8 bilhões, mas aumentaria a dívida bruta em R$ 9,8 bilhões.