Diretor do BC justifica corte da Selic e compara choques de oferta
Diretor do Banco Central defende corte da Selic, comparando choques de oferta a "hematomas" e citando que juros altos não resolveriam problemas externos.

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Paulo Picchetti, defendeu a recente decisão de reduzir a taxa Selic de 14,5% para 14,25% ao ano. Ele argumentou que a política monetária não deve reagir totalmente a "variações de preços decorrentes de choques de oferta", definidos como eventos inesperados que afetam a disponibilidade ou custo de bens e serviços, sendo insensíveis à taxa básica de juros.
Picchetti comparou choques de oferta a um "hematoma", explicando que uma elevação drástica da Selic não resolveria problemas como o fechamento do Estreito de Ormuz ou os efeitos do El Niño, mas geraria "volatilidade". A autoridade monetária mantém o foco no "horizonte relevante" da política de juros, buscando a meta de 3% de inflação em 18 meses, considerando a dissipação desses choques.
O diretor esclareceu que a menção ao primeiro trimestre de 2028 nos comunicados oficiais foi para destacar a convergência da inflação, não um alongamento do horizonte de decisão. As decisões sobre a Selic baseiam-se em projeções futuras de inflação, não na variação corrente de preços, devido ao tempo de seis a 18 meses para o impacto total na economia.