Dólar dispara e ex-diretor do BC alerta para crise como na era Dilma
Ex-diretor do BC, Fabio Kanczuk, compara a alta do dólar atual com a era Dilma II, citando quadro fiscal insustentável e prevendo crise.

O dólar atingiu R$ 5,20, revertendo seu papel de amortecedor da inflação e gerando preocupações de um cenário cambial semelhante ao do segundo governo Dilma Rousseff. A análise é de Fabio Kanczuk, ex-diretor do Banco Central e ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda. Segundo ele, a deterioração da confiança do mercado na capacidade do governo de honrar suas dívidas, devido a um quadro fiscal insustentável e à perspectiva de continuidade dos gastos, pode desencadear uma corrida pela moeda americana.
Kanczuk explica que o aumento dos gastos e da dívida pública terá que cessar, e caso o governo não opte por cortes, o mercado forçará essa parada. "E daí é igual a crise que a gente teve na Dilma II, em que o dólar dispara, os juros disparam e a economia afunda", alertou. Ele prevê uma fuga de capitais com investidores buscando segurança no dólar, o que resultaria em aumento da inflação, queda na atividade econômica e desemprego, afetando mais severamente a população de baixa renda.
O ex-diretor também criticou a comunicação do Banco Central sobre o adiamento do controle inflacionário, considerando que a autoridade monetária priorizou a suavização dos juros futuros em detrimento da credibilidade. Kanczuk projeta inflação acima de 5% para este e o próximo ano, com a taxa Selic estacionada em 14,25% até meados de 2025. Ele aconselha cautela com investimentos, sugerindo que a definição eleitoral definirá o rumo, com o CDI sendo uma aposta segura no curto prazo.