Especialista alerta: Tarifas dos EUA ameaçam exportações brasileiras

Especialista José Pimenta alerta que tarifas dos EUA podem desestruturar cadeias produtivas brasileiras de café, madeira e móveis, impactando exportações e gerando repasse inflacionário.

Especialista alerta: Tarifas dos EUA ameaçam exportações brasileiras

O setor produtivo brasileiro enfrenta um risco significativo com a imposição de novas tarifas pelos Estados Unidos, conforme análise do colunista José Pimenta. Em entrevista, ele destacou que o impacto dessas medidas comerciais transcende o embate político e pode causar danos profundos às cadeias produtivas que o Brasil construiu ao longo das últimas quatro décadas.

## Cadeias produtivas em xeque

Pimenta ressaltou que a complexidade do comércio internacional torna difícil dissociar as negociações de tarifas do cenário político. Ele mencionou que a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, impulsionada por um discurso de soberania no ano passado, teve repercussão internacional e pode influenciar a forma como as decisões comerciais americanas são percebidas e utilizadas politicamente no Brasil, especialmente em um ano eleitoral.

"O discurso, a narrativa vai ser utilizada tanto pela situação quanto pela oposição", previu Pimenta, indicando que as tarifas podem se tornar um ponto de discórdia interna. No entanto, o colunista enfatizou que o ponto mais preocupante reside nos efeitos concretos sobre a economia.

## Setores vulneráveis e o futuro das exportações

O especialista alertou que setores que se depararem com tarifas de 25%, ou até mais de 30% em investigações mais amplas, enfrentarão severas dificuldades para manter suas exportações para os Estados Unidos. Entre os segmentos mais expostos estão o café solúvel, a madeira, móveis, máquinas e equipamentos. Esses setores, segundo Pimenta, formam a base de cadeias produtivas que operam no modelo business-to-business e, em última instância, chegam ao consumidor americano.

A consequência direta, segundo o colunista, não se limitará às empresas exportadoras. Os próprios consumidores americanos poderão sentir o peso da inflação, com o repasse dos custos adicionais em um mercado já pressionado por aumentos de preços em diversos segmentos. "O que é mais danoso para quem vive o comércio internacional do dia a dia são essas cadeias de alto nível que foram complementarmente construídas e que agora podem sofrer um revés extenso", concluiu Pimenta, sublinhando a fragilidade dessas estruturas comerciais frente às novas barreiras tarifárias.