Fundos de Crédito Privado Enfrentam Onda de Resgates

Fundos de crédito privado sofrem saques bilionários no 2º trimestre. Gestoras como Ares impõem limites, impactando investidores e gerando preocupação no mercado financeiro.

Fundos de Crédito Privado Enfrentam Onda de Resgates

O segundo trimestre de 2023 registrou uma saída expressiva de recursos de fundos de crédito privado, com mais de US$ 1,5 bilhão sendo resgatados do Ares Strategic Income Fund, gerido pela americana Ares Management. Esse volume representa 14,4% do patrimônio líquido do fundo, um aumento em relação aos 11,6% do trimestre anterior. O fundo, que gerencia cerca de US$ 11 bilhões em patrimônio e US$ 22 bilhões em investimentos totais, conseguiu atender apenas um terço das solicitações, devido ao limite regulamentar de 5% por trimestre.

A gestora atribuiu a maioria dos pedidos de retirada a investidores estrangeiros, incluindo pequenas instituições e family offices. A decisão de limitar os saques foi justificada como uma medida para proteger os interesses de todos os envolvidos. Paralelamente, outros fundos como o North Haven Private Income Fund (Morgan Stanley) e um fundo da Apollo Global também reportaram altas taxas de solicitação de resgate.

No geral, fundos de crédito privado já acumulam mais de US$ 17 bilhões em pedidos de retirada no segundo trimestre. A pressão recai especialmente sobre fundos semilíquidos, que oferecem liquidez limitada a investidores de alta renda. Executivos do setor defendem que as restrições evitam a venda forçada de ativos desvalorizados, embora a situação gere apreensão no mercado.