Ibovespa Recua 1% Pressionado por Risco Fiscal e Saída de Gringos
Ibovespa cai 1% com risco fiscal e saída de investidores estrangeiros. Mercado aguarda dados de emprego e reage a déficit público maior que o esperado.

O Ibovespa sentiu o peso da incerteza econômica e fiscal nesta terça-feira, chegando a cair mais de 1% e operando na faixa dos 171 mil pontos no início do pregão. A desvalorização ocorre em um momento delicado, no encerramento do segundo trimestre e do primeiro semestre, antecedendo a divulgação de dados cruciais sobre o mercado de trabalho brasileiro.
Enquanto as bolsas em Nova York apresentavam alta, impulsionadas por notícias econômicas americanas como o índice de confiança do consumidor e o relatório Jolts de emprego, o mercado brasileiro mostrava fraqueza. A queda do índice acionário nacional foi acompanhada por um viés de alta nos juros futuros e no dólar, indicando um cenário de maior aversão ao risco.
## Fuga de Investidores Estrangeiros Agrava Cenário
Analistas apontam a saída de investidores estrangeiros como um dos principais fatores por trás da baixa performance do Ibovespa. Segundo Bruno Takeo, estrategista da S4 Consultoria de Investimentos, o "EWZ", principal ETF brasileiro negociado em Nova York, tem registrado recordes de saídas, refletindo um movimento de desmonte de posições. Pedro Paulo Silveira, economista da A3S Investimentos, corrobora essa visão, destacando o fluxo de saída de "gringos" como um entrave para a tração do índice.
De meados de abril até o final de junho, a retirada de capital estrangeiro do mercado brasileiro já ultrapassa a marca de R$ 8,754 bilhões. Essa reversão no fluxo é atribuída a mudanças nas expectativas sobre as taxas de juros e a uma rotação de capital para ações de tecnologia, especialmente nos EUA e na Ásia.
## Risco Fiscal no Radar e Dados do Emprego
A agenda doméstica trouxe preocupações adicionais com a divulgação de um déficit primário de R$ 56,131 bilhões para o setor público consolidado em maio, número superior às projeções de mercado. Esse resultado contribuiu para que a dívida bruta do Brasil atingisse 81,1% do PIB, o maior patamar desde maio de 2021. O déficit em maio foi significativamente maior que o registrado no mesmo mês do ano anterior (R$ 33,740 bilhões).
No acumulado do ano, o déficit primário chega a R$ 24,883 bilhões, contrastando com um superávit de R$ 69,121 bilhões no mesmo período de 2023. O mercado também monitora a possível votação de uma PEC no Senado que cria aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde, considerada uma "pauta-bomba" pela equipe econômica devido ao seu forte impacto fiscal.
## Expectativa para os Dados do Caged
O mercado aguarda com atenção a divulgação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de maio, prevista para as 14 horas. A expectativa mediana das projeções é de criação líquida de 120 mil vagas com carteira assinada, um número superior às 85.888 vagas geradas em abril. Esse dado será crucial para ajustar as expectativas em relação às próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) em agosto.