Inflação de pobres é o dobro da de ricos em maio
Inflação de maio atinge 0,83% para famílias de baixa renda, o dobro da registrada pelos mais ricos. Alimentos e energia elétrica são os principais vilões.

A inflação para famílias de renda muito baixa no Brasil atingiu 0,83% em maio, taxa que representa mais do que o dobro dos 0,38% registrados pelo grupo de maior renda. O dado, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), é explicado principalmente pela alta de 1,65% nos alimentos consumidos em casa e pelo reajuste de 3,67% na conta de luz. Embora o índice para os mais pobres tenha desacelerado em relação a abril (0,92%), ele se mantém como o maior pelo segundo mês consecutivo. A cesta de consumo dos mais pobres é mais concentrada em itens básicos, tornando-os mais vulneráveis a esses aumentos. A pesquisa do Ipea abrange seis faixas de renda, calculando a inflação a partir de dados do IPCA, índice oficial do IBGE. O IPCA geral em maio foi de 0,58%. Analistas apontam que a redução na oferta de produtos e o frete mais caro, impactado pelo conflito no Irã, contribuíram para a carestia da alimentação. O cenário futuro pode ser afetado pelo fenômeno climático El Niño, que tem potencial para impactar a produção agropecuária e, consequentemente, os preços.