Megale: Espaço para cortar juros diminui no Brasil
Economista Caio Megale afirma que inflação alta e atividade econômica forte reduzem espaço para corte de juros no Brasil. Apenas mais um corte de 0,25% é esperado.

O economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, avalia que o cenário econômico brasileiro atual, marcado por inflação persistente e forte atividade, reduziu o espaço para novas reduções na taxa básica de juros (Selic). Segundo ele, o Banco Central (BC) tem diagnosticado esses fatores, o que limita as margens para cortes. Megale estima que pode haver apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual em agosto, levando a Selic a 14% ao ano, mas reconhece um risco crescente de interrupção do ciclo de afrouxamento monetário.
Megale aponta que o plano de voo do BC pode não prever cortes em agosto, devido a mudanças como o efeito de estímulos ao crédito na aceleração da economia. Fatores externos, como a guerra, também impactam as expectativas de inflação e a correlação do petróleo com os juros. Ele critica a comunicação do BC sobre os cortes, que gerou dúvidas no mercado.
O economista também expressou preocupação com a falta de dois diretores no Copom, o que sobrecarrega os membros remanescentes. Megale destacou que a inflação de serviços em outros países pode forçar uma adaptação, com juros potencialmente mais altos por um período. No campo fiscal, embora a arrecadação tenha crescido, a falta de superávit indica gastos excessivos, necessitando de um ajuste focado nas despesas.