Mercado de Trabalho Brasileiro: Criação de Vagas Atinge Menor Saldo Anual em Maio
Criação de 72.960 vagas formais em maio é o menor saldo anual. Economista da FGV Ibre aponta desaceleração econômica e possíveis impactos na inflação e juros.

O mercado de trabalho formal brasileiro registrou a criação de 72.960 novas vagas em maio, marcando o menor saldo mensal do ano. O número representa o desempenho mais fraco para o mês de maio desde 2020, um período de forte retração econômica.
Apesar do resultado abaixo das expectativas, que giravam em torno de 120 mil postos, todos os cinco grandes setores econômicos apresentaram saldo positivo. O setor de serviços se destacou, com a abertura de mais de 45 mil empregos, seguido pela construção civil (12 mil) e agropecuária (10 mil). A indústria contribuiu com cerca de 4 mil vagas, enquanto o comércio apresentou um saldo praticamente estável, com apenas 40 novas oportunidades.
## Desaceleração Econômica em Foco
Em análise, Rodolpho Tobler, economista do FGV Ibre, associou a desaceleração na geração de empregos a um movimento mais amplo de retração da atividade econômica do país. Segundo ele, após um período de crescimento superior a 3%, a economia brasileira entrou em um ritmo menor a partir da segunda metade de 2025, impactando diretamente o mercado formal de trabalho.
Tobler ressaltou que, embora a tendência de desaceleração já fosse prevista, a magnitude do resultado em maio foi um pouco inferior ao esperado. A projeção do FGV Ibre para o mês era de aproximadamente 70 mil vagas, um número mais próximo do que de fato ocorreu, enquanto o mercado em geral esperava um número mais expressivo.
## Impacto na Inflação e Juros
O economista avalia que a desaceleração do mercado de trabalho pode ser um fator positivo para o controle da inflação. Um mercado de trabalho excessivamente aquecido tende a gerar pressões inflacionárias, e a perda de ritmo pode indicar os efeitos da política monetária restritiva implementada pelo Banco Central. "Quando a gente começa a ver uma desaceleração do mercado de trabalho, isso é um pouco desse efeito de juros altos que a gente tem observado na economia", explicou Tobler.
Para os próximos meses, a expectativa é de que os saldos positivos continuem, porém de forma mais moderada. A projeção aponta para cenários semelhantes ao de maio, com resultados mais tímidos, mas que ainda indicam estabilidade em níveis positivos para o mercado de trabalho brasileiro. A continuidade dessa tendência pode influenciar as próximas decisões do Banco Central em relação à taxa de juros.