Ministro da Fazenda defende mais impostos para ricos e cortes

Ministro da Fazenda propõe aumento de impostos para ricos, taxando lucros e dividendos, além de cortar benefícios fiscais e rever programas sociais. Medidas visam equilibrar contas públicas e estimular investimentos.

Ministro da Fazenda defende mais impostos para ricos e cortes

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, apresentou um plano de medidas econômicas para os próximos anos que inclui o aumento da tributação sobre a renda, com foco na população mais rica, uma revisão dos programas sociais para torná-los mais eficientes e o corte de benefícios fiscais. A proposta visa melhorar a situação econômica do país e equilibrar as contas públicas.

Em entrevista, Durigan detalhou que, embora não tenha sido formalmente convidado para integrar a campanha presidencial, tem mantido diálogos com figuras importantes do governo e de partidos aliados, como José Sérgio Gabrielli, Edinho Silva e outros representantes do PT, PSB e PDT, para discutir os rumos futuros da economia.

## Aumento da Carga Tributária sobre Renda

Um dos pontos centrais defendidos pelo ministro é a elevação da tributação sobre a renda no Brasil, alinhando o país a práticas de nações mais desenvolvidas. Durigan ressaltou que a reforma tributária aprovada recentemente manteve o foco do Brasil na tributação do consumo, uma das mais altas do mundo, penalizando, consequentemente, a parcela mais pobre da população.

## Taxação de Lucros e Dividendos

Para concretizar a tributação sobre a renda, o ministro propõe a retomada da taxação sobre lucros e dividendos, prática que vigorou no país até 1995 e que hoje isenta essa modalidade de rendimento. O Brasil é um dos poucos países globalmente com alíquota zero para lucros e dividendos, enquanto a média da OCDE gira em torno de 24,7%. A medida, que já foi proposta anteriormente, tem potencial de arrecadar mais de R$ 100 bilhões anuais, dependendo de sua implementação. Ao mesmo tempo, Durigan sugere a redução do imposto de renda para empresas e da tributação sobre o consumo, buscando um equilíbrio entre as diferentes formas de tributação.

## Corte de Benefícios Fiscais

No que diz respeito ao equilíbrio das contas públicas, Durigan defende a redução dos chamados "gastos tributários", que consistem em benefícios fiscais concedidos a setores ou segmentos específicos. Estimados em mais de R$ 600 bilhões por ano pela Receita Federal, esses subsídios oferecem margem para correção de distorções. O ministro mencionou que já houve um corte de 10% neste ano e que há espaço para novas reduções no futuro, considerando a medida justa.

## Consolidação de Programas Sociais

Paralelamente, o ministro avaliou a importância de reformas que visem o corte de gastos obrigatórios, citando a proposta de revisão dos programas sociais. Com um custo previsto de cerca de R$ 550 bilhões em 2026, e diante de registros de duplicidades e fraudes, Durigan vê com bons olhos a consolidação desses programas. O objetivo é racionalizar e aumentar a eficiência do gasto social, liberando recursos para investimentos e garantindo que o dinheiro público seja bem aplicado, considerando a necessidade de combater a desigualdade e a pobreza persistente no país.