Moody's mantém nota da Irani e elogia força competitiva

Moody's reafirma rating AA.br da Irani Papel e Embalagem com perspectiva estável, destacando competitividade e fundamentos sólidos, apesar de investimentos futuros.

Moody's mantém nota da Irani e elogia força competitiva

A agência de classificação de risco Moody's Local Brasil confirmou nesta segunda-feira (29) o rating de emissor AA.br atribuído à Irani Papel e Embalagem S.A. A decisão, que também manteve a nota da sexta emissão de debêntures da companhia, reflete uma perspectiva estável e baseia-se na avaliação de que a empresa de papéis para embalagens e embalagens de papelão ondulado possui fundamentos operacionais robustos. Isso se mantém mesmo diante de um cenário de investimentos significativos planejados para os próximos anos.

A Moody's destaca a posição consolidada da Irani no mercado brasileiro, onde figura como a quarta maior produtora de papéis para embalagens. A agência ressalta a diversificação do seu portfólio de produtos, a extensa base de clientes e a atuação tanto no mercado doméstico quanto no internacional. As margens da empresa, superiores à média do setor, são vistas como um diferencial, impulsionadas pela verticalização de suas operações.

No entanto, a Moody's também aponta fatores que poderiam limitar uma melhoria na classificação. Entre eles, estão a escala operacional da companhia, que ainda é considerada moderada, a exposição às flutuações do setor de papel e embalagens e a intensa concorrência em um mercado fragmentado.

## Desempenho Operacional e Investimentos Futuros

O relatório da agência menciona que o segmento de papel para embalagens foi afetado no primeiro trimestre de 2026 por paradas programadas para manutenção e modernização industrial. Essas interrupções levaram a uma redução na produção de papéis rígidos e flexíveis, impactando as vendas do segmento em 2,2% nos últimos 12 meses encerrados em março. Apesar disso, a receita total avançou 0,8%, impulsionada principalmente pela elevação dos preços.

Em contrapartida, o negócio de embalagens de papelão ondulado demonstrou um desempenho mais vigoroso. Houve um aumento de 10% nos preços médios e um crescimento de 4,8% na receita, mesmo com uma queda de 4,6% nos volumes comercializados. Essa estratégia da Irani de priorizar a rentabilidade em detrimento do volume de vendas foi um ponto positivo.

A Moody's também ressalta o modelo verticalizado da Irani como fator de manutenção de uma estrutura de custos competitiva. Contudo, eventos pontuais, como a necessidade de compra de papel e energia de terceiros devido a problemas operacionais em uma unidade, pressionaram as despesas no início do ano.

Para os próximos 12 a 18 meses, a expectativa da agência é de um crescimento anual de aproximadamente 6% na receita e a manutenção da margem Ebitda ajustada próxima de 35%, impulsionada pela força do setor de embalagens de papelão ondulado.

## Novos Projetos e Projeções Financeiras

O relatório aborda o novo ciclo de investimentos da Irani. O projeto Gaia XII, aprovado em maio, destinará R$ 514 milhões para expandir a capacidade da unidade de Santa Luzia (MG). Adicionalmente, a empresa estuda a Plataforma Neos, que prevê a construção de duas novas fábricas de embalagens e uma máquina de papel com o objetivo de dobrar sua participação de mercado em embalagens até 2034. Estes projetos, por ainda estarem em fase de detalhamento e aprovação, não foram incluídos nas projeções atuais da Moody's.

Apesar do intenso ritmo de investimentos, a Moody's projeta que a Irani manterá indicadores de crédito compatíveis com sua classificação atual, apoiada por sua política financeira. A alavancagem bruta deve permanecer entre 3,0 e 3,5 vezes o Ebitda nos próximos 12 a 18 meses.

A liquidez robusta é outro pilar de sustentação do rating. Em março de 2026, a empresa dispunha de R$ 760 milhões em caixa, contra R$ 375 milhões em dívidas de curto prazo. Os ativos florestais, avaliados em R$ 638 milhões, representam uma fonte adicional de liquidez, se necessário.

A perspectiva estável da Irani, segundo a Moody's, fundamenta-se na expectativa de desempenho operacional consistente, disciplina na alocação de capital e manutenção de um perfil de liquidez sólido ao longo do novo ciclo de investimentos.