Pix do Crédito: Duplicata Escritural Destrava R$ 11 Trilhões
Banco Central lança duplicata escritural para digitalizar títulos de crédito e destravar R$ 11 trilhões. Nova ferramenta promete mais crédito, menor custo e segurança para empresas.

O Banco Central (BC) lança nesta terça-feira (30) o ecossistema da duplicata escritural, um sistema digital que promete transformar a maneira como as empresas brasileiras buscam e obtêm crédito. A iniciativa é comparada à revolução causada pelo Pix no sistema de pagamentos e tem o potencial de liberar cerca de R$ 11 trilhões em recursos para o mercado corporativo.
## A Nova Era das Duplicatas
A primeira fase de produção assistida do sistema começa em julho, permitindo testes na infraestrutura tecnológica. A obrigatoriedade da digitalização será implementada gradualmente a partir de junho de 2027, começando pelas grandes empresas e estendendo-se a médias e pequenas até meados de 2028. Essa mudança representa a maior transformação nos títulos de crédito desde a criação da duplicata física, em 1936.
## Fim do Papel, Início da Transparência
Com a duplicata escritural, o documento deixa de ser um papel físico, propenso a extravios e fraudes, para se tornar um registro eletrônico rastreável em entidades autorizadas pelo BC. A emissão, aceite, cessão, antecipação e liquidação serão acompanhadas digitalmente, conferindo ao título um valor financeiro real e seguro. Essa rastreabilidade elimina a falta de clareza e a insegurança jurídica que historicamente marcaram o mercado de recebíveis no Brasil.
## Mais Crédito e Menos Custo
O principal objetivo da iniciativa é ampliar o acesso das empresas ao crédito. A expectativa é que a digitalização integral torne os recebíveis ativos mais seguros, transparentes e negociáveis. Pesquisas indicam que 88% das instituições financeiras acreditam que o novo modelo aumentará a oferta de crédito, com 63% prevendo uma expansão e 41% apostando na redução dos custos operacionais. A maior transparência e a redução da assimetria de informações devem atrair novos agentes financeiros, como fintechs e investidores institucionais, aumentando a concorrência e potencialmente reduzindo o custo do capital de giro em até 0,8 ponto percentual ao mês para empresas que antecipam recebíveis.
## Impacto para Pequenas e Médias
Embora as grandes empresas sejam as primeiras a aderir, o impacto para as pequenas e médias também é significativo. O sistema visa democratizar o acesso a financiamentos, antes concentrados em grandes corporações. A digitalização promete oferecer garantias mais sólidas e um processo mais ágil, abrindo portas para negócios que antes enfrentavam barreiras para obter capital de giro e financiamento.