Tesouro IPCA+ Dispara 73% com Juros Reais Históricos
Vendas do Tesouro IPCA+ disparam 73% no 1º semestre de 2026, impulsionadas por juros reais acima de 7% e incertezas fiscais no Brasil.

As vendas de títulos públicos Tesouro IPCA+ experimentaram um crescimento expressivo de 73% no primeiro semestre de 2026, alcançando R$ 18,8 bilhões, um salto considerável em relação aos R$ 10,9 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. Essa valorização coloca o Tesouro IPCA+ como o título público com a maior aceleração de vendas no ano, um reflexo direto das taxas de juros historicamente elevadas.
## Migração para Títulos de Inflação
O desempenho do Tesouro IPCA+ superou até mesmo o tradicional Tesouro Selic, considerado um porto seguro na renda fixa. Enquanto o Selic, campeão de captação, apresentou um crescimento de 23% (de R$ 24,9 bilhões para R$ 30,7 bilhões), o IPCA+ encurtou a distância, chegando a representar 61% do volume do papel pós-fixado, ante 44% no ano anterior. Essa migração é impulsionada pela remuneração oferecida: a maioria dos vencimentos do Tesouro IPCA+ passou a pagar juros reais superiores a 7% ao ano, com papéis de médio e curto prazo flertando com os 8%.
## Fatores por Trás da Alta
Vários fatores contribuem para essa atratividade. O temor com a sustentabilidade fiscal do Brasil, a volatilidade esperada em um ano eleitoral, a inflação persistentemente acima do teto da meta e a projeção de uma Selic em 14% ao final do ano criam um cenário de incerteza. Adicionalmente, a pressão das taxas de juros no exterior, desde os Estados Unidos até o Japão, também influencia o mercado.
A taxa média dos títulos IPCA+ subiu de 7,27% em janeiro para 7,64% em junho. Nos papéis mais curtos, a taxa real chegou a ultrapassar 8,5% em junho. O mês de junho, em particular, registrou a maior taxa média e a maior captação do semestre, com R$ 5,1 bilhões, concentrando 27% das vendas totais do período.
## Preferência pela Acumulação
O Tesouro IPCA+ tradicional, que reinveste os pagamentos de juros até o vencimento, respondeu por 83% da captação semestral. A versão que distribui juros semestrais representou 17%. Essa preferência pela acumulação ficou ainda mais evidente em junho, quando a fatia da versão sem juros semestrais diminuiu para cerca de 10%.
Especialistas apontam que a atual conjuntura oferece uma oportunidade única para travar juros reais, mas alertam para a necessidade de cautela. Recomendações gerais incluem focar em prazos de cinco a dez anos e evitar os títulos ultralongos, que apresentam maior imprevisibilidade. A marcação a mercado pode gerar surpresas desagradáveis para quem não planeja manter o investimento até o vencimento.