Celulares fora da sala: Escolas brasileiras celebram um ano de paz e mais interação
Um ano após lei restringir celulares em escolas, diretores relatam menos ansiedade e mais sociabilidade entre alunos. Pesquisa do MEC aponta 90% de adesão.

Um ano após a implementação da lei que restringe o uso de celulares em escolas, um levantamento do Ministério da Educação revela um cenário promissor. Segundo a pesquisa, que ouviu mais de 8 mil diretores de instituições públicas e privadas, 90% das escolas já cumprem a determinação. A medida parece ter silenciado o isolamento digital, dando lugar a um ambiente escolar mais conectado socialmente.
Diretores e estudantes relatam uma mudança significativa no comportamento e na interação entre os jovens. A estudante Isabela Braga, por exemplo, descreve como o pátio da escola se tornou um espaço de conversa e convívio: “Eu fico com meus amigos, a gente fica em um grupinho, a gente fica conversando”. Essa nova dinâmica social é vista como um dos principais benefícios da lei.
## Menos Ansiedade, Mais Concentração
A avaliação dos gestores escolares é majoritariamente positiva. Quase a totalidade dos diretores (95%) aponta que a ausência dos aparelhos eletrônicos durante o período letivo resultou em um aumento notável na capacidade de concentração dos alunos nas aulas. Além disso, 90% dos educadores observaram uma redução nos níveis de ansiedade entre os estudantes. A proibição também é associada à diminuição de casos de cyberbullying e conflitos, tanto no ambiente escolar quanto no digital.
## Desafios na Implementação
Apesar dos resultados encorajadores, a adaptação à nova regra ainda apresenta obstáculos. Cerca de 39% dos diretores indicam que ainda enfrentam resistência por parte dos alunos em relação ao cumprimento das normas. A infraestrutura para o recolhimento e a guarda segura dos aparelhos é outro ponto de atenção, com um terço dos entrevistados apontando dificuldades nesse aspecto. A fiscalização do uso indevido dos celulares durante o horário escolar e nos intervalos também demanda atenção constante.
O diretor Gabriel Rodrigues destaca a importância do trabalho pedagógico contínuo. "Um olho no peixe e outro no gato para ter certeza que ninguém está transgredindo essa norma. Então, com isso, nós precisamos fazer um trabalho pedagógico, de pouco a pouco, não só tirando o celular, mas dizendo para eles: quão importante é a tecnologia, mas quão importante também é a vivência, a convivência entre eles", afirma.