Enem 2025: Questões são retiradas do cálculo da nota por dificuldade
Questões do Enem 2025 foram retiradas do cálculo da nota por apresentarem dificuldade excessiva ou baixa capacidade de discriminação, visando a precisão da Teoria de Resposta ao Item (TRI).

Algumas questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025 foram removidas do cálculo final das notas. A prática, que ocorre anualmente, tem como objetivo evitar distorções no resultado e preservar a precisão da Teoria de Resposta ao Item (TRI), o método estatístico utilizado para estimar a proficiência dos candidatos com base em seus padrões de acertos.
O Inep, órgão responsável pela aplicação do Enem, identificou e descartou três itens após uma análise técnica. A exclusão desses itens, que atingiram as áreas de matemática, ciências da natureza e ciências humanas, é considerada um mecanismo normal para calibrar o exame e garantir que ele reflita de forma justa o conhecimento dos estudantes.
A TRI funciona ajustando parâmetros como a dificuldade e a capacidade de discriminação de cada questão. Esse processo visa reduzir o impacto de acertos aleatórios, popularmente conhecidos como "chutes". Uma questão pode ser retirada do cálculo se apresentar um comportamento inesperado, como ser excessivamente fácil ou difícil a ponto de não conseguir diferenciar os candidatos, ou se tiver um baixo poder de discriminação entre alunos de diferentes níveis de aprendizado. Esse cenário é conhecido como "problema de convergência".
Na aplicação regular do Enem 2025, duas questões foram excluídas por "problema de convergência". O item 172 de matemática e o item 125 de ciências da natureza (ambos da prova azul) apresentaram dificuldades que impediram a diferenciação adequada entre os participantes. Já na reaplicação e na prova para pessoas privadas de liberdade (PPL), o item 62 de ciências humanas (prova azul) foi retirado devido à sua baixa capacidade de discriminação.
Para o cálculo da nota, a exclusão de uma questão significa que ela é tratada como se nunca tivesse existido. Não há impacto positivo ou negativo para o aluno, independentemente de ter acertado ou errado o item anulado. Especialistas apontam que essa anulação é um aspecto positivo, atuando como uma proteção para a integridade do sistema de pontuação.
A questão 125 de ciências da natureza, por exemplo, exigia cálculos de estequiometria envolvendo volume de gases e rendimento de reação. O professor Paulo Scherrer, diretor da Gama Pré-Vestibular, explicou que a questão foi anulada por ser extremamente difícil, o que impedia a identificação do desempenho real dos estudantes. Da mesma forma, a questão 172 de matemática, que envolvia funções logarítmicas e análise de pressão de máquinas, apresentou um problema similar de convergência.
No caso da questão 62 de ciências humanas, que abordava o afundamento do solo em Maceió devido à exploração de sal-gema, o motivo da anulação é menos claro, mas pode estar relacionado à apresentação das alternativas. Hipóteses incluem a presença de "distratores" (respostas incorretas plausíveis) ou o uso de terminologia específica que pode ter confundido os candidatos.
As informações sobre as questões anuladas foram divulgadas pelo Inep em 22 de junho, a partir dos microdados do Enem. A análise detalhada desses dados é importante para que os candidatos compreendam o funcionamento da TRI e evitem interpretações equivocadas sobre o tempo dedicado a questões que, posteriormente, são excluídas do cálculo da nota.