Copa do Mundo: Por que zebras são mais comuns do que se pensa?
Estudo do IMT revela que zebras na Copa do Mundo são 2,2 vezes mais comuns que em ligas nacionais, com 15,8% de ocorrência contra 7,2%. Fatores como curto preparo e definição de favoritos influenciam.

A Copa do Mundo de 2026 já está marcada por resultados inesperados, como as eliminações da Alemanha e da Holanda em partidas que fogem ao favoritismo. Essas "zebras" não são raras na competição, conforme aponta um estudo do professor Victor Martins Maimone, do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT). A pesquisa revela que surpresas têm 2,2 vezes mais probabilidade de acontecerem em Mundiais do que em ligas nacionais.
Os dados indicam que zebras marcam presença em 15,8% dos jogos da Copa, um índice mais que o dobro do registrado em campeonatos nacionais, onde a taxa é de 7,2%. Para chegar a essa conclusão, Maimone analisou as três últimas edições da Copa do Mundo e as temporadas recentes das principais ligas europeias (Inglaterra, Alemanha, França, Itália, Espanha) e do Brasil. A análise considerou apenas o tempo regulamentar, excluindo prorrogações e disputas de pênaltis.
## Fatores que impulsionam resultados surpreendentes
Segundo o professor, o curto período de preparação e a consequente falta de entrosamento entre as seleções nacionais são fatores cruciais para o aumento da ocorrência de zebras. "A Seleção vai ficar junta por 10 dias [até o primeiro jogo], enquanto os jogadores em um clube ficam junto por 10 meses, pelo menos", explicou Maimone em entrevista recente, contrastando com a rotina das ligas nacionais, onde o trabalho contínuo das equipes reduz a frequência de resultados inesperados.
Outro ponto levantado pelo especialista é a forma como o rótulo de favorito é atribuído. Frequentemente, essa percepção se baseia mais na expectativa dos torcedores e no "peso da camisa" do que em dados objetivos de desempenho. Nas ligas nacionais, o status de favorito tende a se consolidar através do desempenho consistente ao longo das rodadas, um critério considerado mais eficaz por Maimone. Na Copa do Mundo, a avaliação muitas vezes se apoia no histórico e no rendimento individual dos atletas em seus clubes, um método que, segundo o professor, aumenta a margem de erro na definição de favoritos e, consequentemente, a probabilidade de surpresas.