Meião Furado na Copa: Conforto ou Risco para Jogadores?

Jogadores na Copa do Mundo de 2026 furam seus meiões para aliviar pressão na panturrilha. Especialistas debatem conforto vs. riscos à saúde e circulação sanguínea.

Meião Furado na Copa: Conforto ou Risco para Jogadores?

A Copa do Mundo de 2026, que reunirá craques do futebol mundial, também expõe uma prática peculiar: jogadores optando por usar meiões com furos. Longe de ser um sinal de precariedade, essa customização é uma estratégia adotada pelos próprios atletas para aumentar o conforto e aliviar a pressão na panturrilha durante as intensas partidas.

O incômodo surge devido à padronização dos meiões, que são fabricados com base no tamanho dos pés. No entanto, a musculatura da panturrilha dos jogadores de elite varia consideravelmente. Conforme explica Adriano Marques de Almeida, médico do grupo de medicina esportiva do Hospital das Clínicas da USP, o inchaço muscular durante o jogo intensifica a sensação de aperto.

## A Ciência por Trás do Rasgo

Gabriele Oliveira, pesquisadora do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) focada em têxteis, detalha o mecanismo por trás dessa adaptação. Ao criar furos ou rasgos, a continuidade do tecido do meião é interrompida. Isso promove uma redistribuição das tensões, diminuindo a capacidade da meia de exercer uma compressão uniforme sobre a perna. A ideia é que essa redução na compressão traga alívio e permita que o atleta se sinta mais à vontade.

André Lugnani, médico do esporte e ortopedista da Unicamp, ressalta que o efeito psicológico também desempenha um papel importante. Sentir-se bem e sem incômodos é crucial para o desempenho. Portanto, mesmo que o alívio seja em parte mental, ele contribui para o bem-estar do jogador em campo.

## Benefícios e Riscos da Improvisação

Embora a prática vise o conforto imediato, Gabriele Oliveira alerta para a falta de estudos científicos que quantifiquem o benefício exato ou os riscos dessa alteração. A meia é desenvolvida com uma estrutura específica, e os rasgos modificam essa intenção original do fabricante. A pesquisadora aponta que a compressão irregular pode, a longo prazo, afetar a circulação sanguínea e gerar danos musculares, embora ainda não haja evidências concretas que comprovem tais efeitos.

A solução ideal, segundo os especialistas, seria a fabricação de meiões com tamanhos e designs adaptados para as diversas conformações de panturrilha. Empresas de artigos esportivos já exploram materiais e tecnologias que podem oferecer peças separadas ou com variações de compressão, eliminando a necessidade de improvisos. Até que essas inovações se tornem padrão, a gambiarra do meião furado continua sendo uma tática de conforto para alguns craques que disputam a Copa do Mundo.