Banco Mundial cede a pressão dos EUA e abandona meta climática

Banco Mundial abandona meta de financiamento climático de 45% após pressão dos EUA. Decisão impacta compromissos globais contra aquecimento global e gera preocupação.

Banco Mundial cede a pressão dos EUA e abandona meta climática

O Banco Mundial anunciou o abandono de uma meta ambiciosa para o financiamento climático, cedendo a pressões significativas dos Estados Unidos. A instituição, que tinha o compromisso de destinar 45% de seus investimentos a projetos com benefícios climáticos, decidiu 'aposentar' essa diretriz após meses de negociações tensas.

A decisão, comunicada na última segunda-feira, representa um recuo em relação aos esforços globais de combate ao aquecimento global. Países europeus e nações em desenvolvimento, que defendiam a manutenção da meta e a preservação do plano de ação climática, viram seus apelos serem superados pela influência dos EUA. Como maior acionista do Banco Mundial, os Estados Unidos detêm um poder de veto efetivo e um voto de controle considerável, o que lhes permitiu impor sua agenda.

## Contexto e Reações

Em um comunicado interno, o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, afirmou que o trabalho da instituição na agenda climática será "firmemente orientado pelos clientes, apoiando-os na realização de suas próprias ambições". No entanto, fontes próximas às negociações descreveram a manobra como prejudicial à imagem do banco, sugerindo que os países foram forçados a "acomodar a ciência vodu dos Estados Unidos", termo pejorativo para alegações que ignoram princípios científicos fundamentais.

A medida ocorre em um momento delicado, poucos meses após os EUA, sob o governo de Donald Trump, retirarem-se da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Relatos anteriores já indicavam que os EUA pressionavam o Banco Mundial e outras instituições multilaterais a aumentar o financiamento para projetos de combustíveis fósseis. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, criticou a meta climática, alegando que ela gera "ineficiência" e "distorce a tomada de decisões econômicas".

No ano passado, o Banco Mundial já havia superado a meta, com 48% de sua carteira, totalizando US$ 39,2 bilhões, direcionados a projetos com benefícios climáticos. A decisão de abandonar a meta levanta preocupações sobre o futuro do financiamento para a transição energética e a adaptação climática, especialmente em países de baixa e média renda.

## Impacto Global e Metas Futuras

Especialistas apontam que o financiamento de bancos multilaterais de desenvolvimento é crucial para atingir metas climáticas globais. Em negociações climáticas da ONU, mais de 190 países acordaram que as nações desenvolvidas forneceriam pelo menos US$ 300 bilhões até 2035 para países em desenvolvimento. Além disso, bancos multilaterais se comprometeram a destinar US$ 120 bilhões anualmente em financiamento climático até 2030.

Simon Stiell, chefe do braço de mudanças climáticas da ONU, ressaltou ao Financial Times o papel "central" do Banco Mundial e de outras instituições no fornecimento de verbas para o clima, especialmente diante das restrições orçamentárias atuais. A retirada dessa meta pelo Banco Mundial pode dificultar o cumprimento desses compromissos e a transição para economias mais sustentáveis.