África do Sul: Protestos anti-imigrantes deixam mortos e expulsões

Protestos anti-imigrantes na África do Sul resultam em violência, mortes e expulsões. Milhares fogem do país enquanto líderes exigem a saída de estrangeiros ilegais em meio a tensões sociais e econômicas.

África do Sul: Protestos anti-imigrantes deixam mortos e expulsões

A África do Sul foi palco de intensos protestos contra imigrantes, culminando em violência e expulsões em massa. Manifestantes, muitos portando bandeiras sul-africanas e armas de madeira, marcharam por diversas cidades nesta terça-feira (30), expressando descontentamento com a presença de estrangeiros ilegais. O movimento, denominado "March and March", liderado por Jacinta Ngobese, estabeleceu um ultimato para que imigrantes sem documentos deixassem o país, gerando um clima de medo e antecipação de conflitos.

Milhares de pessoas de outras nações africanas já haviam deixado o país antes do prazo final, temendo novas ondas de violência. Lojas fecharam suas portas e trabalhadores estrangeiros optaram por não comparecer aos seus postos de trabalho, em uma tentativa de evitar confrontos. A agitação recente, que já vinha gerando condenação internacional, intensificou-se, resultando em mortes e vandalismo contra negócios e propriedades de estrangeiros.

## Exigências de Expulsão e Acusações de Xenofobia

Jacinta Ngobese declarou que o grupo pretende realizar marchas semanais até que seus objetivos sejam plenamente alcançados. "Nos próximos seis meses, pedimos que nossos recursos nacionais sejam utilizados para expulsar os imigrantes ilegais deste país. De prédio em prédio, eles precisam ir embora", afirmou Ngobese na cidade portuária de Durban. Moradores locais ecoam o sentimento, como Silindile Xaba, de 31 anos, que expressou frustração com a situação do emprego: "As pessoas não estão trabalhando, os empregos estão sendo ocupados por estrangeiros ilegais. Não é justo".

Políticos têm sido apontados como impulsionadores do sentimento xenófobo, buscando capitalizar eleitores para as eleições locais em novembro. Embora algumas marchas tenham ocorrido de forma pacífica, outras foram marcadas por violência. A polícia relatou prisões de saqueadores, mas detalhes específicos não foram divulgados. Em Thembisa, subúrbio de Joanesburgo, manifestantes atiraram pedras contra a polícia e pessoas que acreditavam ser imigrantes, em meio a disparos esporádicos.

## Vandalismo e Falta de Distinção

Relatos indicam que a polícia utilizou veículos táticos e disparou contra manifestantes em Benoni, a leste de Joanesburgo, após ser ameaçada por um grupo. Em Soweto, barracos pertencentes a estrangeiros foram saqueados. Em Pietermaritzburg, perto de Durban, balas de borracha foram usadas para dispersar multidões. Uma característica preocupante dos ataques, que ocorrem esporadicamente na África do Sul desde 2008, é a pouca distinção feita entre imigrantes legais e ilegais.

O movimento "March and March" alega não ter controle sobre atos espontâneos de violência, com Ngobese admitindo a dificuldade em monitorar o comportamento em todas as comunidades. O sentimento anti-imigrante e a percepção de ineficácia policial na proteção das vítimas têm prejudicado a imagem da África do Sul, historicamente vista como defensora dos direitos humanos na era pós-apartheid.

## Contexto Socioeconômico e Desafios

Críticos apontam que as alegações de que imigrantes roubam empregos, aumentam a criminalidade e sobrecarregam serviços públicos carecem de evidências concretas, segundo cientistas sociais. Três décadas após o fim do apartheid, a África do Sul ainda enfrenta profundas desigualdades e um índice de desemprego de um terço da população. Apesar desses desafios, o país mantém-se como a maior economia africana, continuando a atrair migrantes. A população imigrante é estimada em cerca de 3 milhões, representando aproximadamente 4% do total, uma proporção considerada relativamente baixa em comparação com padrões internacionais.