Caixão de Ali Khamenei é exibido em Teerã antes de cerimônia fúnebre
Caixão de Ali Khamenei é exposto em Teerã antes de cerimônias fúnebres. Líder iraniano, morto em ataques, será homenageado em cortejos e rituais no Irã e Iraque.

O caixão do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, foi exposto em Teerã nesta sexta-feira (3), marcando o início de uma série de cerimônias fúnebres planejadas pelo regime. A exibição pública visa demonstrar apoio à República Islâmica após a morte de Khamenei, que ocorreu em ataques atribuídos aos Estados Unidos e Israel no primeiro dia da guerra.
Os eventos em homenagem a Khamenei começarão neste fim de semana na capital iraniana e se estenderão pelas próximas semanas. Haverá procissões nas cidades de Qom e Mashhad, além de cerimônias realizadas no Iraque. A morte de Khamenei e a potencial sucessão de seu filho, Mojtaba Khamenei, como o terceiro líder supremo do Irã, em um contexto de intensos conflitos com adversários regionais, representa um momento de grande significado para a República Islâmica, fundada há 47 anos.
Mojtaba Khamenei, que teria ficado gravemente ferido no mesmo ataque que vitimou seu pai, não tem sido visto em aparições públicas desde o início da guerra, gerando especulações sobre sua condição.
## Rituais e Simbolismo
No sábado (4), os restos mortais de Ali Khamenei iniciarão um cortejo fúnebre nacional, com a primeira parada em uma mesquita em Teerã. A cerimônia incluirá também o transporte dos corpos de sua filha, genro, neta e da esposa do novo líder, todos falecidos no mesmo ataque.
A escolha das datas para as cerimônias fúnebres parece carregar um simbolismo notável. A exposição do corpo de Ali Khamenei nesta sexta-feira coincide com as celebrações dos 250 anos de independência dos Estados Unidos, com eventos públicos e um discurso do presidente americano Donald Trump.
Adicionalmente, todo o período de luto ocorre durante o mês islâmico de Muharram. Este mês é historicamente associado, dentro do islamismo xiita, ao luto, à traição e ao martírio, remetendo ao sacrifício do imã Hussein no século VII, figura da qual Khamenei alegava descender.
O caixão de Khamenei foi coberto com a bandeira sagrada que tradicionalmente tremula sobre o santuário de Hussein, um ato destacado em publicações oficiais que descrevem a bandeira como um símbolo de resistência, sacrifício e devoção à verdade.