Irã inicia funeral de Ali Khamenei após ataque; filho assume liderança

Irã inicia funeral de Ali Khamenei, líder supremo morto em ataque; filho Mojtaba assume. Governo de quase 40 anos foi marcado por rigor e hostilidade aos EUA e Israel.

Irã inicia funeral de Ali Khamenei após ataque; filho assume liderança

O Irã deu início às cerimônias públicas de um funeral de sete dias para o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país, que faleceu em 28 de fevereiro de 2026, após um ataque conjunto atribuído aos Estados Unidos e Israel. A sucessão já foi definida: seu filho, Mojtaba Khamenei, assumiu o posto em março, herdando um legado de quase quatro décadas de governo caracterizado por uma abordagem firme e pela manutenção de princípios de forte cunho religioso e nacionalista.

A transição de poder começou com uma cerimônia privada realizada na sexta-feira (3), que contou com a presença da alta cúpula governamental, membros das forças armadas e delegações de nações como Rússia e China. As celebrações públicas seguirão até a próxima quinta-feira (9), com a expectativa de atrair uma multidão significativa às ruas de Teerã, possivelmente reunindo até 20 milhões de pessoas.

## Um Legado de Mão de Ferro

Ali Khamenei liderou o Irã por quase 40 anos, consolidando um regime teocrático que se manteve inflexível em suas políticas internas e externas. Durante seu mandato, ele resistiu a reformas significativas na república islâmica e impôs forte repressão à oposição. No plano internacional, Khamenei manteve uma postura hostil em relação aos Estados Unidos, recusando qualquer normalização de relações, e nunca reconheceu a existência do Estado de Israel, posição que se tornou um dos pilares da política externa iraniana.

Sua ascensão ao posto de líder supremo, após a morte de Ruhollah Khomeini em 1989, foi vista por muitos como uma surpresa. Apesar de ter ocupado cargos importantes como vice-ministro da defesa e presidente durante a guerra Irã-Iraque nos anos 1980, ele não era considerado um dos fundadores da revolução e sequer detinha o título de aiatolá na época de sua nomeação.

## Trajetória de um Líder Religioso e Político

Nascido em Mashhad em 1939, Ali Khamenei cresceu em uma família religiosa e de origem humilde. Sua juventude foi marcada pela monarquia do xá Reza Pahlavi, em um período em que o Irã mantinha fortes laços com os Estados Unidos e Israel. No entanto, o crescimento de um sentimento antiocidental na sociedade iraniana, que culminou na revolução islâmica de 1979, influenciou profundamente sua visão de mundo. Khamenei participou dos protestos contra a monarquia, chegou a ser preso e passou por um breve período de exílio antes de retornar com a queda do xá.

A revolução de Khomeini representou uma virada drástica na política iraniana, afastando o país de seus antigos aliados ocidentais e adotando uma retórica anti-imperialista. Khamenei, que se tornou uma figura de confiança do líder supremo, gradualmente ascendeu no poder. Em 1981, após um atentado que paralisou sua mão direita, ele foi eleito presidente do Irã com uma expressiva votação.

## O Poder Teocrático e a Repressão

Como líder supremo, Khamenei acumulou poderes que o colocavam acima do presidente, com a capacidade de anular decisões governamentais e demitir membros do executivo. Ele se apresentava como o guardião dos ideais da revolução, como justiça social e independência nacional. Contudo, seu governo foi marcado por episódios de forte repressão a movimentos de protesto, como a Onda Verde em 2009, as revoltas contra o aumento dos combustíveis em 2019 e as manifestações de 2022 após a morte de Mahsa Amini, detida pela polícia da moralidade.

Esses eventos demonstraram a política de resposta autoritária do regime, que incluiu violência, prisões arbitrárias, mortes e censura, especialmente na internet. A sucessão por seu filho, Mojtaba, aponta para a continuidade de um modelo de governança estabelecido e para a manutenção das diretrizes políticas e religiosas que moldaram o Irã nas últimas décadas.