Irã: Milhares clamam por vingança em funeral de Ali Khamenei
Milhares de iranianos participam do funeral de Estado de Ali Khamenei em Teerã, clamando por vingança contra EUA e Israel após conflito. Evento visa demonstrar força em meio a negociações de paz.

Milhares de fiéis iranianos tomaram as ruas de Teerã neste sábado (4 de julho de 2026) para o funeral de Estado do falecido líder supremo Ali Khamenei. A cerimônia, realizada na Grande Mosalla, um vasto complexo religioso na capital, marca um momento de forte demonstração de unidade e clamor por retaliação após o conflito com Israel e os Estados Unidos.
Khamenei faleceu em 28 de fevereiro, vítima de bombardeios israelenses e americanos que precipitaram a guerra. Seu caixão, encimado por seu tradicional turbante preto, está exposto no local. A população, em sua maioria vestida de preto, reuniu-se desde as primeiras horas da manhã, empunhando bandeiras xiitas vermelhas com a inscrição "Mártir".
O clima era de forte emoção e revolta. Gritos de "Vingança!" e "Morte aos Estados Unidos, morte a Israel!" ecoaram entre a multidão. Cartazes pedindo "#MatarTrump" foram exibidos, coincidindo com o 250º aniversário da independência dos Estados Unidos. "Prometemos ao líder supremo que permaneceremos com ele até o fim", declarou Reza, um professor universitário de 37 anos, expressando o sentimento geral.
## Homenagens e demonstração de força
As autoridades estimam que entre 15 e 20 milhões de pessoas participem das homenagens em Teerã, projetando o evento como o maior da história do país. Com duração prevista de seis dias, o funeral serve como uma poderosa demonstração de força em meio a negociações diplomáticas para encerrar o conflito. A presença de Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo e seu sucessor, não foi confirmada publicamente, possivelmente devido a ferimentos sofridos nos ataques.
O centro de Teerã foi transformado em uma área de segurança reforçada, com múltiplos controles policiais. Muitos fiéis aguardavam desde a noite anterior para prestar o último adeus. "Queremos dar um último adeus ao nosso guia", disse Somayye Hamedi, 44, professora, demonstrando a devoção dos presentes.
O caixão de Khamenei permanecerá exposto até segunda-feira, seguido por uma procissão pela capital e escalas em cidades do Irã e Iraque, com sepultamento final em 9 de julho em Mashhad. A cerimônia também inclui homenagens a familiares que morreram junto com o líder.
## Contexto e repercussão
O funeral ocorre seis meses após grandes manifestações populares contra o alto custo de vida e o governo, e em um momento delicado de negociações de paz. A imagem de Khamenei com o punho erguido, símbolo de sua resistência ao Ocidente, era onipresente, reforçando a narrativa de força e desafio.
A magnitude das homenagens, com a instalação de centenas de tendas do Crescente Vermelho e caminhões-pipa para suportar o calor, sublinha a importância política e religiosa do evento para o regime iraniano. A participação de figuras como o chefe da Guarda Revolucionária, Ahmad Vahidi, recém-nomeado, também sinaliza a estabilidade interna em meio à crise.