Irã organiza funeral monumental para Khamenei após 4 meses da morte
Irã prepara funeral histórico para líder supremo Ali Khamenei, morto há 4 meses. Cerimônias de seis dias em várias cidades devem atrair milhões, em evento simbólico após guerra e protestos.

O Irã se prepara para um funeral de proporções históricas para o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo morto em combate há mais de quatro meses. As cerimônias fúnebres, que se estenderão por seis dias a partir desta sexta-feira (3), prometem atrair dezenas de milhões de pessoas, com eventos planejados na capital, Teerã, e em outras cidades iranianas e iraquianas. O funeral assume um peso simbólico considerável, ocorrendo em um momento delicado para o regime, após o país ter sido palco de intensos protestos internos e estar no centro de uma guerra contra os Estados Unidos e Israel.
## Um Legado Controverso
Apesar da expectativa de grande público, o legado de Khamenei é marcado por controvérsias. Durante quase quatro décadas de governo autoritário, seu regime foi associado à repressão brutal de opositores, prisões, tortura e assassinatos. A corrupção crescente e o controle da riqueza nacional pelas forças de segurança também são pontos criticados por muitos iranianos. A notícia de sua morte, embora não detalhada publicamente, gerou comemorações discretas em algumas partes do país, evidenciando a profunda insatisfação popular.
## Influência Regional e Religiosa
Ali Khamenei não era apenas o chefe de Estado do Irã; ele também se posicionava como uma figura religiosa influente no clero xiita. Sua influência se estendia a países como Iraque e Líbano, onde seus retratos eram comuns em manifestações xiitas, e alcançava também o Paquistão e outras nações da região. Reconhecido como um "marja" na hierarquia xiita, sua jurisprudência religiosa era seguida por muitos. Embora não fosse considerado a autoridade clerical máxima por todos os estudiosos – posto frequentemente atribuído a Ali al-Sistani no Iraque –, Khamenei exercia um poder político considerável, nutrido por alianças estratégicas com grupos militantes xiitas no mundo árabe, apoiados pela Guarda Revolucionária do Irã.
## Mobilização Nacional e Mensagem ao Mundo
Em um pronunciamento, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian apelou à participação de todos os cidadãos, independentemente de etnia, religião ou inclinação política. Ele enfatizou que a presença massiva no funeral seria uma resposta firme contra o terrorismo e a violência, projetando uma imagem de unidade nacional e resiliência ao mundo. A organização do funeral, com um emblema que exibe o punho cerrado de Khamenei e o slogan "Devemos nos erguer", busca consolidar a narrativa de força e coesão do regime.
## Simbolismo e Circunstâncias Inéditas
O adiamento incomum do sepultamento por tanto tempo após a morte é um reflexo das circunstâncias extraordinárias enfrentadas pelo Irã. Autoridades negaram rumores sobre enterros temporários, afirmando que o corpo foi mantido de acordo com ritos religiosos. Agora, o regime busca capitalizar o evento para demonstrar unidade nacional, capacidade administrativa e resistência diante de adversidades externas, transformando o funeral em um palco para reafirmar sua força e influência.