Japão: Mortes Superam Projeções e Causam Colapso em Serviços
Japão registra 1,59 milhão de mortes em 2025, superando projeções e antecipando desafios em serviços médicos e funerários. Impacto da COVID-19 e adiamento de tratamentos agravam cenário.

O Japão enfrenta um cenário demográfico alarmante com o número de mortes em 2025 superando significativamente as projeções oficiais, gerando uma pressão crescente sobre os serviços médicos e funerários do país. Foram registradas 1.589.489 mortes, um acréscimo de mais de 70 mil óbitos em relação à estimativa de 1,51 milhão projetada pelo Instituto Nacional de Pesquisa Populacional e de Seguridade Social (IPSS) em 2023. Este número se alinha mais com o cenário de "alta mortalidade" do instituto, que previa 1,61 milhão de mortes.
Atingir a marca de 1,58 milhão de mortes anuais em 2025, quando o esperado era que isso ocorresse apenas em 2030, indica um avanço de aproximadamente cinco anos nas tendências de mortalidade. As projeções demográficas do IPSS, usualmente atualizadas a cada cinco anos, baseiam-se em diferentes hipóteses de mortalidade e natalidade. No cenário de mortalidade média, a expectativa de vida masculina projetada para 2045 era de 84,03 anos, partindo de 81,58 em 2020. Contudo, a estagnação recente na expectativa de vida, especialmente após um período de queda em 2021 e 2022 devido à COVID-19, contribuiu para o aumento inesperado de óbitos.
## Impacto da Pandemia e Outros Fatores
O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar japonês aponta o impacto persistente da COVID-19 como um dos possíveis fatores para a demora no retorno das taxas de mortalidade às trajetórias pré-pandemia. Embora ainda seja cedo para conclusões definitivas sobre mudanças a longo prazo, o aumento de mortes atribuídas à idade avançada também se destaca. Uma hipótese é que o adiamento de tratamentos médicos durante a pandemia pode ter agravado condições de saúde preexistentes, levando a um número maior de fatalidades.
## Pressão sobre Infraestrutura Social
O aumento inesperado de mortes desencadeia uma série de problemas sociais e sobrecarrega a infraestrutura. "A demanda por infraestrutura social relacionada à morte está aumentando mais rapidamente do que o esperado, e há escassez de enfermeiros e advogados", alerta Takumi Fujinami, do Instituto de Pesquisa do Japão. A sobrecarga pode afetar os serviços de saúde e de assistência a idosos.
As instalações diretamente ligadas a serviços de fim de vida, como crematórios, também sentem o impacto. Uma estimativa do Governo Metropolitano de Tóquio sugere que a capacidade atual poderá ser insuficiente por volta de 2035, caso medidas adicionais não sejam tomadas. A divergência entre as projeções e os resultados reais, não apenas na mortalidade, mas também na natalidade, levanta a necessidade de revisões mais frequentes das projeções demográficas para embasar políticas públicas mais eficazes em uma sociedade em constante mudança.