Terremotos na Venezuela: Âncora da CNN relata caos em resgates

Âncora da CNN acompanha resgates de vítimas de terremotos na Venezuela. Quase 2 mil mortos, hospitais sem estrutura e desespero marcam o cenário em Caracas.

Terremotos na Venezuela: Âncora da CNN relata caos em resgates

A tragédia que assola a Venezuela após uma série de terremotos na última semana já deixou um rastro de destruição com quase 2 mil mortos, além de milhares de feridos e desabrigados. A âncora da CNN Internacional, Isa Soares, acompanhou de perto as operações de resgate diretamente de Caracas, expondo um cenário de desespero e a precariedade da infraestrutura local.

## Operações de resgate em ritmo lento

Em um prédio de oito andares na capital venezuelana, equipes de resgate identificaram 12 vítimas fatais e conseguiram retirar apenas três sobreviventes. A esperança de encontrar mais pessoas com vida diminui a cada hora que passa. Nos dias que antecederam a reportagem, nenhum sobrevivente havia sido localizado, apesar da continuidade incessante das buscas.

## Famílias em agonia aguardam notícias

O drama se estende às famílias que permanecem nos arredores dos escombros, em uma espera angustiante por qualquer sinal de seus entes queridos. Mirella Herrera, por exemplo, não se afasta do local na esperança de encontrar seu filho, nora e netas. "Porque eu me sinto desesperada", desabafou, expressando a dor de imaginar seus familiares presos sob os destroços. Contudo, ela mantém a fé: "Eu sinto que meu filho é forte, e eu sinto que ele está esperando, que sabe que estou aqui esperando ele. Por isso não queria abandoná-lo."

## Sistema de saúde à beira do colapso

A catástrofe evidenciou a fragilidade do sistema de saúde venezuelano. No principal hospital de Caracas, profissionais de saúde relataram dificuldades extremas para atender a demanda crescente de vítimas. O médico pediatra intensivista Dr. Huníades Urbina-Medina, com vasta experiência, descreveu a situação como crítica: "Não estamos preparados na Venezuela para o dia a dia. Mas com essa catástrofe, é pior, porque não temos medicamentos suficientes, equipamentos, pessoal."

## Infraestrutura defasada agrava a crise

Um exemplo da precariedade é a situação de uma menina de 12 anos com múltiplas lesões, que necessitava de atendimento especializado. O pediatra explicou que a unidade, que deveria ter capacidade para ao menos 10 pacientes, opera há uma década com pessoal insuficiente, falta de medicamentos e ausência de ventiladores mecânicos, conseguindo atender simultaneamente apenas quatro pacientes. A tragédia, segundo Isa Soares, é um reflexo direto de anos de crise econômica e má gestão no país, cujas consequências se tornam ainda mais brutais em momentos de calamidade.