Aniversário dos EUA: Trump usa data para vitrine política
Comemorações dos 250 anos da independência dos EUA foram dominadas pela agenda política de Donald Trump, gerando conflitos e divisão sobre a narrativa nacional.

As celebrações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, que ocorreram em 4 de julho, foram marcadas por intensas pressões, conflitos e polêmicas, transformando um evento planejado para a união nacional em um embate sobre a definição de história e patriotismo americanos. O planejamento inicial, que começou em 2016 com a comissão America250 para eventos educativos e culturais, mudou drasticamente após o retorno de Donald Trump à Casa Branca.
Em janeiro de 2025, Trump instituiu a Freedom 250 para organizar os principais eventos federais em Washington. Essa decisão criou duas frentes distintas de comemorações: a Freedom 250 focou em uma programação centrada na figura de Trump, com apresentações militares e um grandioso espetáculo pirotécnico em Washington. Paralelamente, a America250, em Los Angeles, promoveu um evento com foco na diversidade cultural, apresentando artistas como Queen Latifah e Smashing Pumpkins.
## Conflitos e Competição
Nos bastidores, a relação entre os dois grupos foi permeada por divergências em orçamentos, cronogramas, campanhas de divulgação e divisão de responsabilidades. As organizações competiram por patrocinadores, lançaram campanhas publicitárias conjuntas durante o Super Bowl e disputaram a atenção da imprensa. A influência da Freedom 250 alterou os planos originais para Washington, que incluíam desfiles com carros alegóricos, festivais culturais e apresentações musicais, sendo muitos substituídos pela "Great American State Fair", uma feira patriótica promovida por Trump. Nove estados optaram por não participar diretamente do evento federal.
## Análise Especializada
Roberto Uebel, professor de Relações Internacionais da ESPM, destaca que a instrumentalização de celebrações nacionais para a imagem pessoal de um governante é inédita na história dos EUA. Ele compara com eventos anteriores, como os 200 anos em 1976 e o centenário em 1876, que foram mais protocolaristas e focados no papel do país globalmente, sem personificar a figura do líder. Uebel aponta que a tendência atual é um apelo personalista, com Trump tentando associar sua imagem a símbolos nacionais. Essa personalização, segundo o especialista, pode desafiar os valores tradicionais americanos de liberdade, individualidade, justiça e democracia no cenário internacional, resumindo a situação com a frase: "É uma festa do Trump, não dos Estados Unidos".