Boulos acusa Senado de "catimba" para travar escala 6x1

Guilherme Boulos critica o Senado por adiar votação da PEC contra escala 6x1, acusando "catimba" e "interesses menores". Ministro defende a proposta e pressiona por análise antes das eleições.

Boulos acusa Senado de "catimba" para travar escala 6x1

O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol-SP), manifestou forte insatisfação nesta terça-feira (30) com a paralisia da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala de trabalho 6x1 no Senado Federal. Em entrevista ao programa "Bom Dia, Ministro", Boulos comparou a postura da Casa a uma "catimba" no futebol, indicando uma tática deliberada para adiar a análise do texto, que já foi aprovado pela Câmara dos Deputados em 27 de maio.

## Críticas à inércia do Senado

Boulos questionou a ausência de qualquer movimentação por parte do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para encaminhar a PEC à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Segundo o ministro, não há justificativas plausíveis para tal demora, especialmente considerando o amplo apoio popular que a proposta detém. "Quando você fica muito ali na defesa, na catimba, pode perder a bola no meio-campo e ter contra-ataque", alertou, sugerindo que a inércia pode gerar reações adversas.

O ministro enfatizou que a sociedade brasileira está atenta e que manifestações já estavam planejadas em diversas cidades do país. Ele acredita que a população não aceitará passivamente o que considera uma "brincadeira com fogo" por parte do Senado, especialmente quando se trata de uma pauta que afeta diretamente as condições de trabalho de milhões de brasileiros. Boulos acusou a cúpula do Senado de priorizar "interesses menores" em detrimento do bem-estar dos trabalhadores.

## Argumentos contra a escala 6x1

Boulos defendeu a extinção da escala 6x1 como um avanço significativo nas relações de trabalho. Ele rebateu os argumentos de que a medida poderia elevar preços ou prejudicar a economia, afirmando que tais alegações carecem de embasamento em estudos técnicos. "O presidente do Senado está errando e está errando feio", declarou, reiterando a gravidade de impedir a tramitação da proposta em vez de simplesmente votar contra ela.

## Pressão por votação antes das eleições

O ministro expressou o compromisso do governo em pressionar para que a PEC seja votada no Senado antes das próximas eleições. Ele argumentou que o adiamento da discussão prejudica a aprovação da proposta e favorece aqueles que se opõem à sua aprovação. "Nós vamos insistir para que seja votada no Senado Federal antes da eleição. Não há justificativa para que não seja. Estão brincando com fogo. Estão debochando da cara do trabalhador brasileiro ao deixar isso parado", disse.

Boulos demonstrou confiança na atuação dos líderes do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), e no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), para intermediar as negociações e destravar a pauta no Senado. Ele espera que a articulação institucional e o diálogo promovidos por eles sejam suficientes para avançar com a proposta, que, segundo ele, "interessa ao povo brasileiro" e conta com aprovação superior a 70% da população.