Brancos de esquerda avaliam minorias melhor que o próprio grupo
Pesquisas nos EUA indicam que brancos de esquerda avaliam minorias melhor que o próprio grupo, gerando debate sobre "espiral da pureza" e isolamento progressista.

Pesquisas recentes nos Estados Unidos revelam um fenômeno social curioso: eleitores brancos de esquerda passaram a avaliar negros e outras minorias de forma mais positiva do que pessoas brancas. Este dado, obtido através de "termômetros de sentimento" em pesquisas de opinião, indica uma inversão do viés psicossocial tradicional de favorecer o próprio grupo.
Entre os americanos com identidades liberais mais fortes, essa tendência se acentua, com atribuição de maior "calor" a grupos minoritários. Essa inversão gerou discussões entre cientistas sociais. Uma das teses sugere uma desidentificação racial de brancos de esquerda, motivada pela ascensão da consciência antirracista. Outra linha de pensamento aponta para a "espiral da pureza", onde a branquitude é vista como moralmente problemática, levando à necessidade de demonstração pública de virtude antirracista para escapar de um estigma progressista.
Essa dinâmica competitiva por pureza moral pode explicar o isolamento do progressismo, com a criação de códigos e práticas morais cada vez mais rigorosos e distantes do senso comum, resultando em uma política voltada para dentro e com menor alcance popular. A ligação entre o viés invertido e a espiral de pureza ainda é considerada especulativa por alguns pesquisadores.