Crítica à Polarização e ao Marketing Político Domina Debate
Um 'boêmio' critica a política polarizada e o jornalismo maniqueísta, afirmando que candidatos criam enredos artificiais via marketing e perdem o compromisso com a palavra.

Em um encontro informal, um amigo do colunista Vicente Serejo, descrito como um "boêmio", desabafou sobre o cenário político e midiático atual. Segundo ele, a sociedade vive "sitiada pelas mesmas conspícuas nulidades", evidenciando uma profunda insatisfação com a qualidade do debate público e a atuação de seus representantes.
## Mediocridade e Falta de Sapiência
O interlocutor lamentou a escassez de "sábios" e a abundância de "sabidos" na cidade, criticando a campanha política em curso pela sua "palavra vil e pobre", considerada uma "afronta à grandeza do espírito público". A conversa, regada a uísque, seguiu um ritmo pausado, contrastando com a "pressa ansiosa dos amadores".
## Crítica à Mídia e ao Marketing Político
A entrevista concedida por uma emissora local foi classificada como um "desastre", demonstrando "a estreiteza do entrevistado e dos entrevistadores". O convidado atacou o que chamou de "vício do combinemos" e a superficialidade das entrevistas, que, segundo ele, revelam "gostos e desgostos" de forma artificial.
## O Maniqueísmo na Política e no Jornalismo
O ponto central da crítica recaiu sobre o "jornalismo militante" e o maniqueísmo que, na visão do "boêmio", contaminou a política e a imprensa. Ele deplorou a polarização exacerbada, onde alguns "têm horror a Bolsonaro e outros horror a Lula", argumentando que "jornalista não é um agente, porta-voz só do bem ou do mal". Essa postura, segundo ele, impede a construção de um debate público saudável.
## Falsidade nos Enredos Políticos
O crítico apontou que a falta de autenticidade dos políticos leva o marketing a inventar narrativas que não correspondem à realidade. "São falsos. Nem santos, nem demônios", declarou, referindo-se à construção de personagens artificiais para campanhas eleitorais. A propaganda, ao invés de contar histórias verdadeiras, faz uma "colagem de efeitos", levando os políticos a esquecerem rapidamente o que disseram, demonstrando "sem compromisso com a palavra".
## Consequências da Artificialidade
Na tela, os políticos aparecem "perfeitos nas formulações", repetindo o que lhes foi ensinado. Contudo, após a campanha, essa "inteligência" desaparece, e eles voltam a ser como eram. O "boêmio" questionou a justiça de exigir democracia de quem "nunca praticaram", mesmo que tenham "desempenhado bem o papel" durante o período eleitoral. A conversa terminou com a constatação de que "está na hora de comprar o pão", uma metáfora para o retorno à realidade após a ilusão política.