EUA completam 250 anos sob pressão interna e externa
Professor da UFF avalia que EUA, ao completarem 250 anos, enfrentam desafios à democracia interna e contestação da China à sua liderança global.

A nação americana celebra seus 250 anos de independência em um momento de significativa contestação de seu poder hegemônico. Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF), analisa que, apesar de a Constituição dos EUA ter se mostrado resiliente ao longo de mais de dois séculos, o país enfrenta desafios internos e externos que testam suas instituições e sua liderança global.
## Desafios à Democracia Interna
Brustolin destaca que o arcabouço institucional americano, que sobreviveu a guerras, crises econômicas e transformações sociais, foi colocado à prova recentemente. O professor aponta que a conduta do ex-presidente Donald Trump, referindo-se ao episódio da invasão ao Capitólio, representou um desafio direto à institucionalidade do país. A acusação de tentativa de insurreição contra Trump evidencia a fragilidade percebida em momentos de polarização política extrema.
Além das tensões políticas recentes, o professor lembra que os ideais fundadores dos EUA, como a igualdade intrínseca a todos os indivíduos, sempre foram confrontados por contradições históricas. Discriminação racial, legado da escravidão e a crescente desigualdade social são exemplos de como esses princípios têm sido questionados ao longo da história americana.
## Hegemonia Global em Xeque
No cenário internacional, a avaliação de Brustolin é de que os Estados Unidos, embora ainda a principal potência econômica, militar e tecnológica, não detêm mais a supremacia incontestável que ostentavam no período pós-Guerra Fria, especialmente entre 1990 e o início dos anos 2000. A ascensão da China é apontada como o principal fator que desafia a liderança de Washington.
Essa dinâmica de poder contestado pode configurar o que alguns analistas chamam de "armadilha de Tucídides", um conceito que descreve a tensão inerente entre potências estabelecidas e potências emergentes. A rivalidade entre EUA e China, segundo Brustolin, moldará o futuro da ordem mundial e exigirá um aprofundamento do debate sobre o papel dos Estados Unidos no cenário global.
A análise de Brustolin ressalta a complexidade do momento atual para os Estados Unidos, uma nação que, ao celebrar sua fundação, confronta questionamentos profundos sobre a sustentabilidade de seu modelo democrático e a manutenção de sua influência no mundo.