EUA consultam Brasil sobre novo embaixador indicado por Trump

EUA consultam Brasil sobre Daniel Perez, indicado por Trump para embaixador. Nome ligado ao trumpismo passa por pesquisa e depende de aprovação do Senado americano.

EUA consultam Brasil sobre novo embaixador indicado por Trump

O governo dos Estados Unidos formalizou na semana passada uma consulta ao Brasil sobre a indicação de Daniel Perez para assumir o posto de embaixador norte-americano em Brasília. O procedimento, conhecido como "agrément", é uma praxe diplomática que busca a aprovação sigilosa do país receptor antes do anúncio oficial. No entanto, neste caso, o presidente Donald Trump antecipou a comunicação da escolha de Perez em 1º de junho, antes da conclusão do processo.

Fontes do governo brasileiro indicam que a rejeição do nome de Perez só ocorreria em caso de manifestações dele contra o Brasil ou seu povo. A avaliação brasileira se baseia na pesquisa sobre o indicado, que, após o "agrément", concede o "sinal verde" para a nomeação. A confirmação do envio da consulta partiu de fontes americanas.

Um auxiliar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva considerou positiva a indicação de um embaixador após um hiato de quase um ano e meio com o cargo vago. Atualmente, a embaixada em Brasília é liderada pelo encarregado de negócios Gabriel Escobar. A expectativa é que Daniel Perez tome posse apenas nos próximos meses, possivelmente perto do final do ano, após aprovação pelo Senado dos EUA.

Daniel Perez é conhecido por seu alinhamento ideológico com a ala radical do "trumpismo", fazendo parte do movimento "Make America Great Again" (MAGA). Ligado ao secretário de Estado Marco Rubio, Perez também possui raízes familiares cubanas e é um crítico declarado do regime comunista de Cuba e de governos de esquerda na América Latina. Filiado ao Partido Republicano, ele preside a Câmara dos Representantes da Flórida.

O posto de embaixador dos EUA no Brasil esteve ocupado anteriormente por Elizabeth Bagley, nomeada pela gestão do democrata Joe Biden em 2023 e que deixou o cargo no final de 2024. A ausência de um novo nome indicado por Trump até então gerou especulações sobre a continuidade das relações diplomáticas no mais alto nível.