Flávio Bolsonaro faz promessas a Trump sobre Pix e Mercosul

Senador Flávio Bolsonaro propôs a Donald Trump que aguardasse eleições brasileiras para decidir sobre tarifas, prometendo flexibilizar PIX, Mercosul e ações contra redes sociais caso eleito.

Flávio Bolsonaro faz promessas a Trump sobre Pix e Mercosul

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou ao governo dos Estados Unidos, em julho de 2026, uma manifestação com o objetivo de convencer a gestão do então presidente Donald Trump a adiar a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Em uma carta, o pré-candidato à Presidência solicitou a suspensão da possível punição por pelo menos 180 dias.

O argumento central de Flávio Bolsonaro é que a aplicação de novas tarifas comerciais pelos EUA poderia fortalecer a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tem classificado as retaliações americanas como ataques à soberania nacional. O senador prometeu que, caso eleito, designaria imediatamente um negociador para conduzir negociações de boa-fé com os EUA.

## Propostas de Flávio Bolsonaro

Entre as medidas prometidas por Flávio Bolsonaro em sua manifestação estão a não conexão do PIX a sistemas de pagamento instantâneo internacionais não ocidentais, a desoneração do setor de cartões de crédito – o que beneficiaria grandes empresas americanas – e a busca por acordos comerciais bilaterais que libertariam o Brasil das "amarras do Mercosul".

Adicionalmente, o senador indicou que, caso a oposição conquiste mais assentos no Senado nas eleições de outubro, haveria a possibilidade de cassar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) cujas decisões contrariam plataformas americanas de redes sociais. Essa questão tem sido um ponto de atrito com a gestão Trump, sendo chamada pelo campo bolsonarista de "censura".

A iniciativa de Flávio Bolsonaro ocorreu em resposta a uma investigação comercial iniciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) contra o Brasil. A investigação, que recomendou tarifas retaliatórias de 25% sobre produtos brasileiros, baseou-se na alegação de que práticas do governo brasileiro são "irrazoáveis" e "oneram ou restringem o comércio dos EUA". O USTR abriu prazo para manifestações de partes interessadas até 1º de julho, período em que Flávio Bolsonaro enviou suas considerações. Ele também se inscreveu para participar de uma audiência pública nos EUA em 6 de julho.

## Contraponto do Governo Lula

Em paralelo, o governo do presidente Lula contesta as acusações americanas e tem realizado negociações com autoridades dos EUA para evitar a imposição das tarifas. O Ministério das Relações Exteriores, através do ministro Mauro Vieira, também enviou uma manifestação ao USTR, argumentando que "amplas tarifas sobre produtos brasileiros imporiam custos reais à economia dos EUA".

As práticas brasileiras sob escrutínio incluem o PIX, visto como um concorrente desleal para outros meios de pagamento, e tarifas de importação mais favoráveis a países com acordos comerciais com o Brasil, como México e Índia. A investigação também apontou como problemáticas falhas no combate à corrupção, na proteção à propriedade intelectual e a atuação do Judiciário brasileiro no controle de plataformas digitais.

A gestão Trump, por sua vez, alega que o Brasil tem "prejudicado injustamente as empresas americanas" ao favorecer o PIX, criticando o papel duplo do Banco Central como regulador e operador do sistema, e a exigência de que o PIX seja oferecido sem taxas aos clientes, o que seria uma prática discriminatória contra empresas americanas.