Keiko Fujimori vence no Peru e acirra 'círculo de fogo' da direita na América do Sul

Keiko Fujimori vence eleição presidencial no Peru com margem mínima, reforçando a ascensão da direita na América do Sul. Filha de ex-presidente, ela enfrentará desafios de polarização e instabilidade.

Keiko Fujimori vence no Peru e acirra 'círculo de fogo' da direita na América do Sul

Keiko Fujimori sagrou-se vencedora da eleição presidencial no Peru, conforme a apuração final divulgada pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE). A contagem de 100% dos votos confirmou a vitória da conservadora com 50,135% dos votos válidos, superando o candidato de esquerda Roberto Sánchez por uma margem mínima de 49.641 votos. A diferença apertada de apenas 0,27% entre os candidatos, totalizando 9.223.396 votos para Fujimori contra 9.173.755 para Sánchez, reflete a profunda polarização política que marcou o país.

## Consolidação da Direita na América Latina

A eleição de Keiko Fujimori reforça uma tendência observada nos últimos anos na América Latina: o avanço da direita. Diversos países da região, como Argentina, Equador, Paraguai, El Salvador e, mais recentemente, Colômbia, elegeram líderes com plataformas conservadoras. A vitória de Fujimori, nesse contexto, diminui o número de aliados ideológicos para governos de esquerda na América do Sul, como o do Brasil sob a gestão de Lula.

A disputa presidencial peruana foi marcada por uma apuração prolongada, estendendo-se por mais de três semanas após o segundo turno. O processamento de atas contestadas e recursos apresentados manteve a eleição em suspense, com Roberto Sánchez chegando a liderar em determinados momentos, mas Keiko Fujimori consolidando sua vantagem na reta final.

## Desafios e Legado Familiar

Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, assume a presidência aos 51 anos, tornando-se a primeira mulher eleita para o cargo no Peru pelo voto popular. Sua trajetória política é marcada por três derrotas anteriores e uma forte ligação com o legado de seu pai. Ela foi acusada em um caso de lavagem de dinheiro ligado à construtora brasileira Odebrecht, tendo passado um período na prisão antes do arquivamento do processo pelo Tribunal Constitucional.

Com o slogan "volta à ordem", Fujimori buscou associar sua imagem à de um líder firme, evocando a estabilidade que seu pai trouxe ao Peru na década de 1990, em meio a crises econômicas e à violência do Sendero Luminoso. No entanto, a figura de Alberto Fujimori ainda divide opiniões, lembrada tanto por sua gestão quanto pelas violações de direitos humanos e cortes em reformas econômicas.

## Instabilidade Política e Futuro

Fujimori herdará um país profundamente polarizado e com um histórico de instabilidade política. Nos últimos dez anos, o Peru teve nove presidentes, muitos dos quais deixaram o cargo em meio a acusações de corrupção ou processos de impeachment. A política peruana tem sido caracterizada por crises institucionais recorrentes.

A proclamação oficial da vencedora pelo Júri Nacional de Eleições (JNE) ainda é aguardada, mas a posse está prevista para 28 de julho. O principal desafio de Keiko Fujimori será restaurar a confiança e a estabilidade em um cenário político fragmentado, buscando consolidar sua liderança em um mandato que se estenderá de 2026 a 2031.